Receita líquida de Serviços chega pela 1ª vez a R$ 1 trilhão

Números divulgados pelo IBGE ensta manhã se referem à atividade de 2011

Antonio Pita, da Agência Estado,

28 de agosto de 2013 | 11h01

RIO - A receita operacional líquida do setor de Serviços atingiu, pela primeira vez, o patamar de R$ 1,004 trilhão em 2011, uma alta de 11% em relação a 2010. Os dados da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. No ano anterior, a receita das empresas do setor tinha sido de R$ 856 bilhões.

A pesquisa revelou ainda que o setor teve crescimento no número de empresas (1,081 milhão) e de vagas de trabalho (11.398 milhões). Os dados, segundo o IBGE, revelam que a atividade de serviços não sentiu os impactos da desaceleração do crescimento econômico do País naquele ano, quando o PIB teve alta de apenas 2,7%, ante 7,5% em 2010.

Entre os segmentos de serviços pesquisados, a área de transportes e correio foi a que registrou maior receita, somando R$ 288,4 bilhões. O montante corresponde a 28,5% da receita total do setor. A área integra serviços de transporte de passageiros e cargas, em diferentes modais, além de serviços de armazenamento e entregas postais.

Em segundo, com R$ 268,3 bilhões, está a área de Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares, que compreende consultorias, assessorias e trabalhos técnicos. Também o setor de serviços de informação e comunicação teve participação elevada na receita, com R$ 259, 4 bilhões. Somados, os setores compreendem 80,6% da receita operacional líquida.

De acordo com o IBGE, a área de Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares é a que apresenta o maior crescimento em diversos indicadores da pesquisa. A receita teve alta de 14% em relação a 2010. Pela primeira vez, o segmento é o que registra o maior número de empresas, (340 mil) ultrapassando a área de serviços prestados às famílias. O crescimento foi de 12% entre 2011 e 2010.

O setor também é o que mais emprega, com 4,7 milhões de profissionais – alta de 9% no período. A área engloba empresas que terceirizam serviços, desde limpeza até serviços especializados de arquitetura, engenharia e geoprocessamento. O segmento também abrange as empresas de aluguel de máquinas e equipamentos, consultoria e assessoria técnica.

Produtividade

O setor teve evolução na sua produtividade anual de 3,2% em média, no período entre 2007 e 2011. O cálculo é realizado a partir da relação entre a média anual do valor adicionado (11,7%) e a média de crescimento anual do número de pessoas ocupadas (8,2%).

O aumento da produtividade, segundo a pesquisa, aconteceu principalmente nos segmentos de serviço de manutenção e reparação (8,3%) , atividades imobiliárias 7,9% e serviços profissionais, administrativos (4,1%).

Nesses segmentos, as áreas que tiveram maior dinamismo, segundo a PAS, foi a manutenção e reparação de equipamentos de informática e comunicação, com crescimento da produtividade estimado em 16,8%. A razão, segundo o IBGE, é que o setor consegue atender simultaneamente a prestação ao consumidor final e às empresas.

Já a alta das atividades imobiliárias teria como razão o aumento da oferta de crédito imobiliário, dos rendimentos médios dos trabalhadores e as desonerações de impostos em produtos da área de construção civil. O maior dinamismo no segmento foi verificado na área de compra, venda e aluguel de imóveis próprios, com 7,9% de aumento de produtividade.

Transporte rodoviário e telecomunicações

A pesquisa revelou que as empresas de telecomunicações e de transporte rodoviário de passageiros e cargas registraram as maiores receitas liquidas em 2011.

Na metodologia do IBGE, são sete segmentos de serviços pesquisados: Transportes, serviços auxiliares e correios; Serviços prestados às famílias; Informação e Comunicação; Serviços Profissionais, administrativos e complementares; Atividades imobiliárias; Manutenção e reparação; e Outras atividades.

As empresas de telecomunicações registraram receitas de R$ 142,4 bilhões, o que equivale a 54,9% da receita total do segmento de informação e comunicação. O segmento é o terceiro entre as maiores receitas em 2011. As empresas de Tecnologia da Informação (TI) são as mais numerosas, correspondendo a 63,6% do total neste segmento. São também as empresas que mais empregam, com 442 mil trabalhadores.

Já as empresas de transporte rodoviário de passageiros e cargas tiveram receita líquida de R$ 139,9 bilhões. O segmento representa 77% do total de empresas prestadoras de serviço na área de transportes e entregas e emprega 65,5% dos profissionais.

Entre os serviços destinados às famílias, destaca-se a alimentação, que registrou R$ 67,1 bilhões de receita líquida. Nos serviços profissionais, a maior receita foi verificada entre as empresas de serviços técnicos profissionais, como assessorias, consultorias e análises técnicas. O montante foi de R$ 111,6 bilhões.

A compra e venda de imóveis próprios teve receita de R$ 17 bilhões, o equivalente a 69,7% das receitas do segmento de atividade imobiliária. Nos serviços de manutenção e reparação, o setor automotivo se destacou, com R$ 8,8 bilhões em receitas. No segmento de Outras Atividades, o destaque ficou na área de seguros e previdência, que registrou receitas de R$ 30,7 bilhões.

Empregos

A Pesquisa Anual de Serviços indicou que o setor registrou alta de 9,1% nas contratações em relação a 2010, totalizando 11,398 milhões de pessoas ocupadas. No ano anterior, o setor tinha registrado 10,449 milhões de trabalhadores. O salário médio nacional para o setor é de R$ 1.375.

À frente das contratações, o setor de serviços profissionais, administrativos e complementares registrou 4,724 milhões de trabalhadores. O número representa uma alta de 9%. Em seguida, o setor de transportes, serviços auxiliares e correio emprega 2,344 milhões de pessoas, uma alta de 6%. O setor de serviços prestados diretamente às famílias, terceiro colocado em número absoluto de vagas, registrou 2,413 milhões de trabalhadores, uma alta de 10%.

Ainda de acordo com a pesquisa, o Sudeste concentra a maior parte das vagas de trabalho no setor, com 60,7% de participação. A região também é a que tem a maior receita bruta de prestação de serviços, com R$ 743,8 bilhões (66,6%) e a maior média de salários, de 2,8 salários mínimos (a média nacional é de 2,5 salários mínimos). Em segundo lugar quanto à receita aparece a região Sul, com R$ 148 bilhões. O Nordeste é a terceira região em geração de renda bruta, com R$ 110 bilhões.

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