Recessão na zona do euro pode já ter começado

Índice que mede a atividade empresarial de milhares de fabricantes e companhias do setor de serviços do bloco caiu para 47,2, número consistente com um declínio trimestral de 0,5% do PIB 

Reuters

24 de outubro de 2011 | 13h32

A crise de dívida da zona do euro pode já ter empurrado a economia do bloco de volta à recessão, de acordo com pesquisas com empresas, que mostraram que a economia da China avançou em outubro.

Leituras de índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) divulgados nesta segunda-feira serviram para ressaltar os motivos que levam os líderes da Europa a se esforçarem para acertar medidas substanciais e duradouras para conter uma crise da dívida soberana que levou a atividade empresarial do bloco a um segundo mês de queda em outubro.

A cúpula da União Européia (UE) no fim de semana mostrou algum progresso no sentido de impulsionar o fundo de resgate da zona do euro e a recapitalização dos bancos, mas essas medidas podem vir tarde demais para evitar uma segunda recessão em quatro anos.

O índice Markit para gerentes de compras da zona do euro, que mede a atividade empresarial de milhares de fabricantes e companhias do setor de serviços, caiu para 47,2 neste mês, ante leitura anterior de 49,1 --pouco abaixo da marca de 50, que divide crescimento de contração.

O número ficou abaixo da estimativa de 19 economistas consultados pela Reuters, que previam leitura de 48,8. A empresa de pesquisa Markit, que fez o levantamento, informou que o dado é consistente com um declínio trimestral de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

"No todo, esse é um relatório muito fraco, destacando o fato de que a zona euro está voltando novamente à recessão", disse o economista-chefe do ING Financial Markets da zona do euro, Peter Vanden Houte.

"É pouco provável que o progresso a passos de tartaruga na resolução da crise de dívida europeia altere esse quadro em breve".

Ainda assim, as bolsas de valores mundiais registravam sólidos ganhos nesta segunda-feira, depois de um rali em Wall Street na sexta-feira, em meio a algum alívio de que a China pode estar tão em perigo quanto se teme.

O índice PMI na China mostrou que o amplo setor manufatureiro interrompeu uma série negativa de três meses, graças à robusta demanda doméstica. As pressões sobre os preços também diminuíram, talvez o único elemento positivo compartilhado com o fraco relatório da zona do euro.

A leitura preliminar do PMI da China, calculado pelo HSBC e que visa oferecer uma sinalização inicial da atividade fabril do mês, subiu para 51,1 em outubro, contra 49,9 no dado final de setembro, em meio à alta nos novos pedidos e nas novas encomendas para exportação.

Os economistas, que praticamente não conseguiram antever a recessão chegando em 2008 até que ele já havia começado, foram incomumente francos sobre o significado das pesquisas.

"Se a zona euro não pode escorregar para a recessão quando está enfrentando a maior crise financeira em gerações e as pesquisas com empresas recuam, quando pode?", questionou o economista da Scotia Capital, Alan Clarke. O chefe de pesquisa global no Lloyds Banking Group, Jeavon Lolay, concordou: "(O relatório) definitivamente sugere recessão a partir deste ponto."

(Andy Bruce, com reportagem adicional de Anooja Debnath e Jeremy Gaunt, em Londres, e Kevin Yao, em Pequim)

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