Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Recuperação no comércio deve demorar

Panorama reforça, de acordo com o Sebrae-SP, o foco do empresário no planejamento e também na gestão do negócio

Ligia Tuon, Especial para o Estado

31 de março de 2015 | 07h04

Pequenos e médios comércios viverão, em 2015, uma continuação do que foi o ano passado, quando esses negócios foram afetados pelo desempenho fraco da economia. Essa é a análise do Sebrae-SP, que serve tanto para quem já atua quanto para quem está começando a empreender no segmento. “Não esperamos que seja uma ano de recuperação”, afirma Letícia Aguiar, consultora da entidade.

O faturamento médio do setor apresentou queda de 5,9% em São Paulo, segundo dados do Sebrae-SP. Pior desempenho, inclusive, do que o experimentado pelos empreendedores da indústria, cuja retração atingiu 1,8% em 2014.

Enquanto as políticas de reajustes para conter inflação e acertar as contas do governo estiverem sendo implantadas, o cenário não deve mudar. Então, é melhor nem começar a empreender no setor? “Não é para desanimar, mas os empresários têm de ficar mais antenados”, aconselha Letícia. “Planejamento, nesse momento, se torna muito mais importante, além da gestão do negócio.” 


Acreditando em um público altamente segmentado, Mohini Mohan escolheu este momento para desistir de vender roupas indianas em feiras temáticas para abrir um negócio fixo, no bairro da Vila Mariana. “Ou as pessoas gostam ou odeiam a estampa indiana”, conta a empreendedora. Ela afirma que gastou pouco – R$ 150 – para idealizar e montar sua vitrine e encontrou um aluguel dentro do orçamento.

Apesar das estampas, nem tudo são flores. “Está cada vez mais difícil de fazer um planejamento. Eu tive um ano bom em 2014, mas não sei o que pode acontecer daqui para frente”, analisa Mohini. A empresária já percebeu, entretanto, uma redução de cerca de 20% em sua receita nos meses de janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado. “Se meu faturamento começar a cair muito, eu fecho.”

Pesquisa. Não são apenas os pequenos e médios que sentem o impacto da insegurança do consumidor. Pesquisa sobre o comércio do IBGE, divulgada recentemente, mostra alta de 0,6% nas vendas de janeiro ante o mesmo mês do ano anterior – o pior desempenho desde 2003. 

O levantamento é feito com estabelecimentos com mais de 20 funcionários, 90% do comércio varejista brasileiro. Um dos melhores resultados dentro do segmento veio na venda de produtos de uso pessoal e doméstico, alta de 4,7% no faturamento. “Esses englobam muitas lojas de departamento que ganham com compras pequenas, de menor valor e grande quantidade”, explica a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Juliana Vasconcellos. Essa estratégia, porém, não vale para os pequenos. “Negócios com tíquete médio muito baixo precisam de um volume muito grande de transação de caixas. Pode ser uma armadilha”, alerta o consultor Marcus Rizzo. Para investir no comércio em 2015, o empreendedor precisa ter, além da diferenciação, um trunfo para driblar a desconfiança do cliente. 

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