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Rede de churrascarias Fogo de Chão pede registro para abrir capital nos EUA

Rede fundada por brasileiros, hoje controlada por fundo americano, tem 26 lojas nos EUA e chegará ao pregão Nasdaq com símbolo ‘Fogo’

O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 18h24

Texto atualizado às 20h20

Fundada por brasileiros, mas hoje controlada por americanos, a rede de churrascarias Fogo de Chão vai abrir o capital nos Estados Unidos. A empresa anunciou nesta segunda-feira, 20, que entrou com um pedido na Securities and Exchange Comission (SEC, a CVM norte-americana) para realizar sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações na bolsa de valores Nasdaq, sob o símbolo ‘Fogo’. Os outros detalhes da oferta ainda não foram revelados. 

Como é controlada por um fundo de private equity, que compra participações em empresas para vender no futuro com lucro, a abertura de capital da rede de churrascaria não é necessariamente uma surpresa para o mercado. A bolsa de valores é um caminho natural para esse tipo de fundo se desfazer de suas participações. 

Em 2012, quando comprou o controle da companhia por US$ 400 milhões, os executivos do fundo americano Thomas H. Lee (THL) já falavam em levar a empresa à bolsa num prazo de três anos, depois de expandir a operação para outros dois países. A primeira meta está prestes a se confirmar, embora a segunda não tenha se concretizado ainda. Os executivos da Fogo de Chão faziam planos de abrir unidades no Canadá e em países asiáticos, o que ainda não ocorreu. 

Com 26 restaurantes nos Estados Unidos, nove no Brasil e um em Porto Rico, a Fogo de Chão faturou no ano passado US$ 262,3 milhões - mais do que os US$ 219,2 milhões de um ano antes. Na mesma comparação, a empresa passou de um prejuízo de US$ 937 mil para lucro de US$ 17,6 milhões.

Retorno certo. A alta do lucro é uma das apostas dos investidores americanos para recuperar o investimento feito em 2012 e obter algum lucro. Eles não serão os primeiros a embolsar milhões com a rede de churrascaria. Os irmãos Arri e Jair Coser foram os primeiros milionários da Fogo de Chão. Os dois abriram a primeira unidade em 1979 em Porto Alegre (RS) e nos anos seguintes levaram o churrasco gaúcho para o eixo Rio-São Paulo e depois expandiram a operação para os Estados Unidos. 

A gestora brasileira GP Investimentos entrou no negócio em 2006, com a aquisição de 35% da rede por US$ 64 milhões. Em agosto de 2011, a GP comprou o restante da Fogo de Chão por estimados R$ 180 milhões - o valor, à época, não foi revelado. 

Os irmãos Coser saíram completamente do negócio e, com o dinheiro que levantaram, abriram novos restaurantes. Arri toca a casa de carnes NB Steak e Jair Coser a Corrientes 348, especializada em Parrilla. 

Investidores. A entrada da GP no capital da churrascaria impulsionou o plano de expansão da empresa. Quando o GP entrou, em 2006, a rede tinha nove unidades. Quando vendeu a participação para os americanos, já eram 25 restaurantes. O investimento na Fogo de Chão proporcionou à GP uma rentabilidade, em dólar, de cerca de 25% ao ano. 

A Fogo de Chão se diferenciou das outras churrascarias por investir na qualidade do atendimento. A empresa foi uma das primeiras a ter ar condicionado no salão e bufê de saladas, por exemplo, quesitos raros em churrascarias nos anos 80 e que hoje são comuns em restaurantes do gênero. Nos Estados Unidos, a rede ainda opera com gerentes brasileiros, de preferência gaúchos como os fundadores. 

A Fogo de Chão não é a primeira aposta do THL no segmento de restaurantes. O fundo já foi acionista da rede Dunkin’ Donuts, com o Carlyle e a Bain Capital. Assim como pretende fazer com a rede de churrascarias, o THL deixou a Dunkin’ em 2012, por meio de uma oferta inicial de ações no mercado de capitais americano. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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