Reestruturação da HRT deve incluir venda de blocos

Possíveis mudanças dentro da petroleira HRT devem incluir a venda de parte de dez blocos que a companhia possui na Namíbia para algum parceiro estratégico até o fim deste ano, segundo analistas ouvidos pela Agência Estado. A informação, ventilada pelo fundador da HRT, Márcio Mello, ganhou força após os movimentos desta semana dentro da companhia.

SABRINA VALLE, Agencia Estado

30 de agosto de 2012 | 15h05

A semana começou com uma tentativa frustrada de Mello de recompra de ações e o aumento da participação acionária do Credit Suisse na companhia, na segunda-feira. Os movimentos esquentaram as especulações sobre possível mudança de controle e rumo da petroleira, há menos de três anos em operação e que passa por uma crise após perfurações malsucedidas.

Há três semanas, o próprio Mello afirmara em teleconferência com analistas que a companhia passava por um processo de reestruturação e que metas de custos e investimentos seriam cortados em 40%. Não comentou uma possível mudança de controle ou no conselho de administração, que ainda preside mesmo depois de deixar a presidência executiva da empresa no primeiro trimestre.

A HRT é operadora de dez blocos exploratórios na costa da Namíbia, além de deter 55% de participação em 21 blocos exploratórios localizados na Bacia do Solimões, na região amazônica. No Brasil a companhia só encontrou gás, e em volume inferior ao projetado e necessário para compensar os custos com as dificuldades de acesso à Amazônia.

Procurada pela Agência Estado, a HRT informou, por meio de sua assessoria, que não se pronunciará sobre rumores de mercado.

O Credit Suisse informou na segunda-feira ter comprado 1.143.200 ações ordinárias de emissão, elevando sua participação a 5,1% (15.015.699 ON) do capital votante da companhia. O Credit esclareceu que a aquisição se deve a operações de proteção (hedge) de obrigações assumidas em contratos de derivativos e não é candidato a controlador. "Desta forma, não objetiva alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da companhia".

Pelo estatuto, investidores só são obrigados a fazer tag along (uma oferta aos demais acionistas) ao atingir 20% de participação acionária.

Mello também apresentou uma proposta de recompra de ações em reunião de conselho de administração na segunda-feira. A oferta foi negada. A Futura Corretora calcula que a empresa está barata por ter valor de mercado de R$ 1,377 bilhão, inferior aos recursos do caixa consolidado da companhia, que ao fim do segundo trimestre somavam R$ 1,43 bilhão.

"O mecanismo de recompra foi apresentado pelo presidente Marcio Mello ao conselho de administração, que tomou conhecimento", informou a empresa em comunicado ao mercado.

A negativa da proposta de Mello reforçou as especulações de que um novo parceiro possa integrar a companhia, incluindo com uma oferta hostil. Mello, aos poucos, se afasta do comando da empresa que criou em 2009.

A HRT e seu parceiro na bacia do Solimões, o TNK-Brasil, reavaliaram ao longo dos últimos meses a bacia dos Solimões e, em conjunto, decidiram pela racionalização da campanha exploratória, com a redução temporária da atividade de perfuração e prioridade aos levantamentos sísmicos.

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