Reflorestamento terá investimento de US$ 14,4 bilhões, diz Tabacof

São Paulo, 21 - O investimento de US$ 14,4 bilhões, a ser aplicado em 10 anos, para a ampliação da produção de celulose e papel no Brasil, deverá gerar novas florestas com mais 1,200 milhão de hectares, que somados aos atuais 1,500 milhão de hectares, vai assegurar ao País uma área de 2,700 milhões de hectares de vegetação plantada. Isto permitirá a preservação de matas nativas como todos desejam, avalia o empresário Boris Tabacof, que acaba de presidir, em Bruxelas, na Bélgica, a reunião do Comitê de Assessoramento das Áreas de Papel e Produtos de Madeira, ligado à FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura) e que é formado por 24 membros. Segundo o empresário brasileiro, a reunião do comitê, integrado por 24 membros, serviu para avaliar as perspectivas do início da aplicação do Protocolo de Kyoto, que vai buscar reduzir a emissão de gás carbônico no Mundo, a partir de 1.o de janeiro próximo. Tabacof entende que o Brasil tem boas possibilidades na área de redução do gás carbônico da atmosfera terrestre. " O mundo sabe que o Brasil pode perfeitamente apresentar uma importante contribuição para a redução do gás carbônico", sustenta. Tabacof destaca que a criação de novas florestas plantadas, com renovação constante, é um passo importante. "O Brasil está dentro deste Protocolo de Kyoto, sabendo de sua responsabilidade social no mundo. E posso adiantar que contamos a experiência brasileira, que está se fortalecendo a cada momento, com a ampliação de florestas plantadas. Pequenos agricultores que possuem áreas já começam a se movimentar. Algumas cooperativas para a introdução de novas florestas já estão em formação. No meio das árvores, os pequenos empresários estão plantando agricultura de subsistência, com sucesso" , afirma Tabacof. O comitê que ele preside é um órgão de assessoramento da FAO, vinculado à Diretoria Florestal do organismo. A reunião de Bruxelas foi realizada em paralelo ao encontro de empresários dos principais países fabricantes de papel e celulose, como os europeus, Brasil e Canadá. Além do Protocolo de Kyoto, um dos temas mais discutidos na reunião da FAO, foi o do corte ilegal de madeira e suas implicações ambientais. Neste capítulo, chamaram a atenção, entre outros problemas, a exploração ilegal de mogno na Amazônia e o roubo de madeira na Indonésia e outros desrespeitos a natureza. Tabacof salienta que "um código será criado na ONU para tentar reduzir as atividades ilegais com a madeira, mas este é um processo político demorado". Ele reconhece que algumas ONGs são contrárias a este aumento de florestas plantadas, mas sustenta que "elas ajudam a manter a sustentação ambiental". "O reflorestamento é uma maneira de também aliviar a pobreza, tornando micro produtores agrícolas em plantadores de florestas. Isto pode ocorrer aqui, na África ou Ásia, com apoio da FAO. A árvore pode se tornar um importante acréscimo em suas rendas. Há um aquecimento global , que pode ser combatido através de mais árvores no planeta. Pode-se ainda obter ganhos com o crédito carbono", argumenta Tabacof. O empresário ressalta que "a invasão multinacional no Brasil no setor de papel e celulose serviu para mostrar que o País é um importante player no setor e somente neste ano de 2004, está exportando, na área de papel e celulose cerca de US$ 3 bilhões. O Brasil tem plenas condições de influenciar em política mundial florestal, com seus 4,5 milhões de hectares de florestas plantadas, entre nativas e plantadas. Quando falo em 2,700 milhões de hectares de florestas plantadas, sua madeira não atende somente aos fabricantes de celulose e papel, mas também para outros setores que exigem a madeira como matéria prima., o que amplia o seu aspecto social, empregando e envolvendo mais gente. Vamos crescer mais 1,200 milhões de hectares, nos próximos dois anos, a razão de 500 a 600 hectares/ano". Ele lembra que a luta do Brasil para a produção de madeira para a fabricação de celulose começou há 30 anos. "Foram 30 anos de lutas, com desenvolvimento do produto na área de genética, criando uma árvore que se permite o corte em até 7 anos. O Brasil é um player global nesta área, e não temos nada contra a entrada de capital estrangeiro por aqui. Temos tecnologia e competitividade para atuar no mercado internacional, com sucesso", conclui. (fim)

Agencia Estado,

21 de dezembro de 2004 | 10h45

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