Registro em hotel revela paradeiro de Cacciola em Mônaco

Ex-banqueiro e foragido 'número 1' da Justiça brasileira foi preso enquanto passeava em área nobre do país

Andrei Netto, enviado especial,

17 de setembro de 2007 | 08h02

Acostumado ao luxo, o ex-banqueiro brasileiro Salvatore Cacciola foi preso no sábado, 15, na rua, em horário de grande movimento, no ponto mais badalado do Principado de Mônaco, na Europa. Sua identificação pela polícia foi possível por meio de um formulário preenchido no hotel em que estava hospedado. A detenção do foragido número 1 da Justiça brasileira aconteceu às 11h30 na Place du Casino, junto ao Cassino e à Avenida de Monte Carlo, pontos nobres do distrito de Monte Carlo, o mais conhecido do país.   Veja também: Juiz nega liberdade a Salvatore Cacciola Procuradora de Mônaco diz que processo será rápido  Prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 1,57 bi   Cacciola foi abordado na praça por oficiais da Sûreté Publique, a polícia de Mônaco, que lhe comunicaram a detenção. O ex-banqueiro não reagiu.   Solicitada pela polícia, a informação do registro foi comparada com o banco de dados de foragidos da Interpol, no qual sua prisão consta como prioritária. As informações foram confirmadas ao Estado na manhã desta segunda-feira, 17, em Mônaco, pelo Ministério do Estado e pela Justiça do principado.   Ao identificar o empresário, os agentes descobriram o pedido internacional de prisão de número 36.868/2000 - chamado "Notícia Vermelha", ou "Difusão Vermelha" pela Interpol -, no qual o governo brasileiro solicitava a 186 países sua prisão imediata. Tão logo a identificação foi feita, a Sûreté Publique contatou a sede da Interpol, em Lyon, informando da prisão iminente. No início da manhã, horário brasileiro - o fuso horário é de cinco horas -, um comunicado em francês foi entregue ao escritório da Interpol e à Polícia Federal, em Brasília.   O ex-banqueiro é considerado foragido desde 2000, quando foi acusado pela Justiça brasileira de crimes de gestão fraudulenta, corrupção passiva e peculato durante a crise cambial do real em 1999. À época, os gestores dos bancos Marka - do qual Cacciola era proprietário - e FonteCindam causaram, conforme indica o processo judicial, um prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central.   O empresário chegou a ser preso preventivamente, mas fugiu do Brasil após ser libertado pela Justiça. No início da década, foi preso mais uma vez na Itália, mas em função de sua dupla cidadania - ele é nascido em Milão - o pedido de extradição do Ministério da Justiça brasileiro ao governo local foi negado. Desde então, ele vivia em Roma, em um hotel de sua propriedade, com vista para o Coliseu.   Naquele ano, Cacciola chegou a ser preso preventivamente a pedido do Ministério Público, mas, libertado pela Justiça, fugiu do País. Desde então, o pedido internacional de prisão havia sido distribuído pela Interpol aos 186 países signatários do acordo. Refugiado na Itália, Cacciola havia obtido o direito de permanecer em liberdade, escapando à extradição por ter também a cidadania italiana - o ex-banqueiro é nascido em Milão e é naturalizado brasileiro. Desde então, vivia em Roma, em um hotel de sua propriedade.   Ao contrário do que foi divulgado por parte da imprensa brasileira, o Ministério do Estado e Tribunal de Justiça de Mônaco negaram que haja audiência prevista para a tarde de hoje. Uma nova audiência com o juiz de instrução deve acontecer apenas na tarde desta terça-feira, manhã no horário do Brasil.

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