Relação dívida/PIB deve seguir em 41,4% em julho, diz Altamir

Segundo chefe do Departamento Econômico do BC, a estimativa leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,77

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 11h34

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, anunciou há pouco que a estimativa oficial da instituição para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para julho é de 41,4%, exatamente no mesmo patamar registrado em junho e também em maio. Segundo ele, a estimativa leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,77.

Altamir também informou que a estimativa para a relação entre a dívida bruta e o PIB aponta para o indicador em 60% neste mês. O patamar é ligeiramente inferior aos 60,1% registrados nos dois últimos meses anteriores. Se confirmado este resultado, o novo patamar da dívida bruta será idêntico ao de abril, quando ficou em 60%.

Gastos

Altamir reconhece que as eleições de outubro influenciam no aumento do gasto público, mas ele afirma que a pressão para elevação das despesas é, atualmente, menor que a vista há alguns anos. "Essa correlação perdeu o elo forte que existia no passado. Pode se dizer que essa correlação ainda existe, mas é bem menor que no passado", afirmou o analista do BC durante entrevista coletiva.

Para Altamir, houve "mudança de cultura" na administração pública nos últimos anos com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que reduz o espaço para o aumento do gasto público nos períodos que antecedem as eleições. "Hoje, há travas impostas pela Lei", resume.

O chefe do BC destacou o investimento público, que aumentou 72% no ano. Apesar dessa alta expressiva, ele afirma que a expansão dos investimentos não pode ser explicada apenas pelas eleições. "O investimento cresce por razões outras. O PAC, por exemplo, trouxe outra dinâmica para os investimentos públicos", citou.

Como resultado do maior gasto, o relatório divulgado pelo BC mostra que o superávit primário do mês passado do setor público consolidado (de R$ 2,059 bilhões) foi o pior para junho desde 2006. Situação semelhante aconteceu nos governos regionais. Nos Estados, o esforço de R$ 985 milhões foi o pior para o mês de junho desde 2006, outro ano eleitoral. No caso das prefeituras, a situação é ainda pior: o resultado de R$ 714 milhões foi o mais baixo para os meses de junho desde o início da série histórica em 2001.

Para Altamir, o baixo resultado do setor público é diretamente influenciado pelo aumento dos investimentos. No caso dos governos regionais, os mesmos investimentos explicariam o fraco resultado, já que muitos projetos exigem contrapartida, o que reduz o caixa de Estados e municípios.

Resultado fiscal

O chefe do BC disse que espera uma melhora do resultado fiscal do setor público ao longo do segundo semestre. Para ele, a tendência é de uma acomodação do ritmo de alta das despesas, refletindo as restrições pré-eleitorais e também o encerramento do processo de reestruturação de carreiras no serviço público, enquanto, de outro lado, as receitas devem seguir em trajetória de alta, reforçando o resultado primário. "Espero um resultado mais expressivo no segundo semestre", afirmou.

Altamir Lopes reafirmou a expectativa de que o governo cumpra a meta de superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas, desta vez, fez menção direta ao secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que tem manifestado compromisso de cumprir a meta sem o uso de abatimentos dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Nos 12 meses encerrados em junho, o superávit primário do setor público foi de 2,07% do PIB, abaixo inclusive do piso da meta considerando os gastos do PAC - que é de 2,4% do PIB. Altamir explicou que o resultado fiscal deste ano está influenciado pelo ritmo forte de expansão dos investimentos, que elevam o gasto público. Mas ele ressaltou que o aumento de despesas nessa rubrica mostra uma melhor qualidade do gasto público. "Elevar investimento sempre é positivo", disse.

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