Relacionamento da Vale com governo será aberto e construtivo, diz Ferreira

Segundo o presidente, Vale tentará encontrar um ponto comum com a legalidade para resolver a disputa sobre royalties da mineração que envolve a companhia

Chiara Quintão, Mônica Ciarelli e Sabrina Valle, da Agência Estado,

20 de maio de 2011 | 13h18

O novo presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que tentará manter um diálogo franco e aberto com autoridades e com o governo e encontrar um ponto comum com a legalidade para resolver a disputa sobre royalties da mineração que envolve a empresa. O processo se arrasta desde 1991 e envolve R$ 4 bilhões.

No entanto, Ferreira disse que há foros adequados para tratar do assunto caso não seja encontrada uma solução para o impasse. Ele disse entender a posição do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que cobra a dívida, mas afirmou que "cabe à Vale defender o melhor interesse da Vale".

Questionado sobre o novo marco regulatório do setor de mineração, ele afirmou que o mais importante nessa discussão é preservar a competitividade da indústria de mineração no País. Segundo ele, todos os atores envolvidos nesse projeto tem esse objetivo. Atualmente, o setor paga 2% sobre a venda de minério de ferro.

Ferreira, afirmou, indagado sobre se a empresa levará em conta o desenvolvimento do Brasil na hora de se analisar um projeto, que não há incompatibilidade entre os interesses da Vale e do País. Para ele, é possível gerar empregos, oportunidades e mantendo uma posição competitiva o País. "Acho que as coisas não são incompatíveis", disse, em coletiva.

No entanto, Ferreira afirmou que há "situações e situações" e que elas devem ser analisados isoladamente. "(As situações) devem ser tratadas quando ocorrerem", concluiu.

Siderurgia

Sobre as empreitadas da empresa no ramo de siderurgia, Ferreira disse que a Vale é uma mineradora, mas que todas as empresas do setor, no Brasil e no exterior, passam pela mesma situação. Para ele, é importante ter um parque siderúrgico no Brasil, aproveitando o mercado interno. "É preciso encontrar uma solução de consenso."

O presidente da Vale disse que cabe à toda diretoria, sem um minuto de descanso, executar o orçamento da melhor forma possível. O executivo afirmou que a mineradora vai manter as premissas de trabalho dos últimos anos e que tentará fazer com a empresa seja uma das melhores empresas para se trabalhar: "Este não seria um sonho, seria o céu para mim", respondeu durante sua primeira entrevista coletiva.

Murilo também afirmou que a Vale é uma empresa privada, mas que respeita, e quer respeitar cada vez mais o meio ambiente, as comunidades, autoridades locais e fornecedores.

O presidente da Previ e do conselho de administração da Vale, Ricardo Flores, afirmou também que o objetivo é agregar valor à companhia e atuar de forma a trazer retorno aos acionistas. Por isso, os acionistas podem ter certeza de que continuarão recebendo bons dividendos da empresa.

Mudança na diretoria

Ferreira afirmou há pouco, que irá encaminhar na próxima segunda-feira um pedido de recondução dos diretores executivos da companhia. A exceção será a diretora de recursos humanos, Carla Grasso, que será substituída por Vânia Somavilla. A executiva já trabalha na companhia.

Durante sua primeira entrevista coletiva à imprensa, Ferreira afirmou interesse em trabalhar em equipe, prática que, segundo ele, permitirá à companhia obter bons resultado.

(Texto atualizado às 15 horas)

 

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