Relatório da Fazenda reduz projeção do PIB de 5,0% para 4,5% em 2011

Para 2012, a projeção também foi reduzida de 5,5% para 5,0%; em 2013 e 2014, governo espera um crescimentode 5,5% ante os 6,5% projetados anteriormente

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

30 de maio de 2011 | 11h48

O Ministério da Fazenda reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira nos próximos quatro anos. O boletim "Economia Brasileira em Perspectiva", relativo ao primeiro bimestre deste ano, prevê que a expansão média entre 2011 e 2014 será de 5,1%. Na edição especial do boletim, divulgada em março deste ano para um balanço da atividade econômica em 2010, a previsão do Ministério da Fazenda era de um crescimento médio de 5,9% nos quatro anos. A estimativa de alta do PIB para 2011 caiu de 5% para 4,5%. Para 2012, a projeção foi reduzida de 5,5% para 5%. Em 2013 e 2014, o Ministério da Fazenda espera um crescimento econômico de 5,5% ante os 6,5% projetados anteriormente.

O boletim destaca o início, em 2010, da retirada de estímulos adotados para enfrentar a crise financeira internacional. Ressalta ainda a adoção de medidas macroprudenciais para assegurar o ritmo sustentável de crescimento, evitando a criação de desequilíbrios internos e externos. "Como resultados dessas medidas, a economia brasileira cresceu abaixo do seu potencial nos últimos dois trimestres do ano passado e deve continuar desacelerando em 2011, fechando o ano com expansão de 4,5%", afirma.

"Os primeiros dados de 2011 sobre a atividade econômica ainda não mostram de maneira clara o ritmo dessa desaceleração esperada, por causa das defasagens envolvidas nas medidas adotadas e também em virtude das mudanças estruturais em andamento na economia brasileira", completa. O Ministério da Fazenda afirma que, mesmo com a expansão da atividade econômica mais moderada em 2011, a média do crescimento para os próximos anos deverá ser superior às verificadas recentemente, por conta da elevação da capacidade produtiva brasileira.

O relatório "Economia Brasileira em Perspectiva" é publicado bimestralmente pela Secretaria de Política Econômica (SPE). O documento consolida e atualiza as principais variáveis macroeconômicas resultantes da condução da política econômica. O documento está publicado no site do Ministério da Fazenda.

Demanda doméstica

O boletim "Economia Brasileira em Perspectiva" do Ministério da Fazenda, referente ao primeiro bimestre de 2011, afirma que o mercado doméstico e os investimentos serão essenciais para garantir o crescimento médio da economia de 5,1% até 2014. No entanto, o documento reduziu a projeção de expansão da demanda interna de 6,4%, prevista na edição especial divulgada em março, para 5,9% na edição relativa ao primeiro bimestre de 2011.

Os investimentos devem crescer em torno dos 10% e dar uma contribuição para o crescimento de 1,9 ponto porcentual do PIB. No entanto, a previsão de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu de 20,4% para 19,5% do PIB em 2011. Ainda assim, voltará este ano aos patamares de antes da crise. Em 2008, a FBCF foi de 19,1% do PIB, caindo para 16,7% em 2009 e 18,4% do PIB em 2010.

"As medidas macroprudenciais, o ajuste da taxa de juros e a consolidação fiscal devem possibilitar que a economia brasileira siga com expansão mais moderada, sem que haja descompasso entre oferta e demanda", afirma o boletim. O Ministério da Fazenda avalia que o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria adquiriu certa estabilidade, mas em nível elevado e compatível com a estrutura produtiva brasileira.

(Texto atualizado às 12h30)

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