Renegociação da dívida agrícola está perto de definição

Uma solução para a renegociaçãoda dívida agrícola de dezenas de bilhões de reais, que vem searrastando há meses, está perto de ser encontrada, disseramnesta segunda-feira o presidente da Câmara dos Deputados,Arlindo Chinaglia, e representantes de entidades agropecuárias. "A última informação é de que o governo editaria uma medidaprovisória para contemplar essa renegociação. Tudo indica queestá na iminência de ter uma solução dessa última negociação", afirmou Chinaglia, após a abertura da feira de tecnologiaagropecuária Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Segundo o deputado, a renegociação da dívida, que significarenúncia de recursos por parte do governo, foi dificultada pelaqueda da CPMF, mas poderia ser aprovada pela Câmara assim que aárea econômica chegar a um acordo com os produtores. "A questão da agricultura brasileira ganhou tamanhadimensão que ela não pode ser tratada apenas pelo setor, é umaquestão do Estado brasileiro, portanto é uma questão dosgovernos e da Câmara Federal... O governo fazendo um acordo,ele tem maioria na Câmara, seria possível aprovar." De acordo com Cesário Ramalho da Silva, presidente daSociedade Rural Brasileira (SRB), o projeto de renegociação dadívida agrícola deve ser concretizado em breve. Segundo ele, a dívida total seria de 125 bilhões de reais.Já a área econômica do governo estima o montante, apenas com osetor financeiro, em 87,5 bilhões de reais. "Estamos na parte final, temos um acordo acertado. Estamosaguardando uma medida provisória a ser editada ainda hoje(segunda-feira)", disse o presidente da SRB. O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária doBrasil, Fábio Meirelles, reforçou a previsão de Chinaglia,afirmando que "a esperança é que nos próximos 15 dias" oprocesso seja concluído. Para Ramalho, o setor já conseguiu renegociar até 75bilhões de reais do endividamento total, mas não há um valorconsolidado já fechado entre governo e setor privado. Meirelles destacou que a dívida teve de ser recalculada, levando em consideração fatores que prejudicaram os produtoresagrícolas nos últimos anos, como o tempo desfavorável, ainexistência de uma política de seguros e o custo de compra deinsumos em um período de dólar mais alto contrastando com avenda da safra em meio à queda da moeda norte-americana. "Não teve nenhum tipo de segurança", arrematou. Neste ano, a safra brasileira de grãos deve atingir recordede produção, fator que, aliado aos preços altos dos alimentosem todo o mundo, configura um cenário favorável para aagricultura. No entanto, segundo Ramalho, os produtores devemse precaver para a próxima temporada devido à instabilidadefinanceira internacional. "Temos um componente especulativo. Você tem uma profundaqueda do dólar... essa alta desenfreada do petróleo, também umasupervalorização do euro ... Então são coisas que o agricultornão pode deixar de pensar", disse.

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