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Vinicuis Dalla Rosa - 07/01/2021
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Renner fecha contrato com Enel para compra de energia eólica para lojas

Até o fim do ano, 80% do consumo da varejista passará a ser atendido por fontes renováveis, sendo que em dezembro de 2020 o porcentual era de 65%; contrato com a Enel, que direciona energia de usina específica para a empresa, é inédito

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 05h00

A Lojas Renner fechou contrato com a italiana Enel para a compra de energia eólica para atender à demanda de 170 de suas lojas e de seu novo centro de distribuição. A parceria é inédita, já que o contrato é de longo prazo e a energia fornecida virá de um parque eólico específico da Enel, que entrará em operação no fim deste ano.

Nos próximos meses, enquanto a usina da Enel no município de Tacaratu (PE) não fica pronta, parte do consumo da Renner já começa a ser atendida por energia de fonte renovável vinda de outras unidades da companhia de energia elétrica. Assim que o projeto ficar pronto, o fornecimento migrará para o parque em Pernambuco, diz o presidente da Lojas Renner, Fabio Faccio. A duração do contrato é de 15 anos. 

Segundo o executivo, o acordo ajudará a companhia a encerrar o ano com 80% do seu consumo corporativo – considerando seus prédios administrativos, centros de distribuição e lojas – vindo de fontes renováveis, ante 65% de dezembro de 2020. Isso, afirma Faccio, representa ainda um avanço da meta estabelecida para o fim de 2021 – o objetivo era fechar este ano com 75%.

O presidente da Renner diz ainda que, além de a companhia dar mais um passo em compromisso ambiental, esse tipo de contrato, de longo prazo, funciona também como um incentivo para investimentos em energia renovável no País. “Com isso, estamos aumentando a geração de energia no Brasil e de forma muito mais sustentável”, disse Faccio ao Estadão. Hoje, a varejista já consome energia de fazendas solares e de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

A diretora de arquitetura, engenharia e expansão da varejista, Alessandra Shargorodsky, acrescenta que esse contrato também cumpre o papel de dar maior previsibilidade e estabilidade ao custo de energia – algo ainda mais importante em um momento de crise hídrica. 

Do lado da Enel, esse tipo de contrato garante receita de longo prazo para um investimento bilionário. Ao todo, serão construídos cinco novos parques de energia renovável – quatro eólicos e um solar, todos no Nordeste –, que consumirão um total de R$ 5,6 bilhões em investimentos, diz o diretor-geral da Enel no Brasil, Nicola Cotugno. “Temos visto os clientes cada vez mais tomando uma posição de responsabilidade. A cada dia há mais interessados nesse tipo de contrato”, comenta. 

O aumento da demanda vem também de compras de energia por empresas – mas sem fornecimento específico, como o caso da Renner. Uma das diferenças é que, quando o contrato faz essa previsão da origem da energia, a comercialização inclui certificados internacionais de energia renovável que atestam a energia prevista no acordo. 

Na prática, funciona como um rastreamento de atributos ambientais de energia, algo que tem se tornado relevante para as empresas no momento em que elas precisam gerar confiança na contabilidade do carbono, diante da meta de zerar emissão de CO2. 

Para o coordenador do curso de economia da FGV, Joelson Sampaio, esse tipo de contrato é uma tendência por conta da necessidade de diversificação de matriz energética no País. “Quando vemos uma crise hídrica como essa que estamos vivendo, principalmente, aumenta o incentivo das empresas para compra de energia de fontes renováveis”, frisa o especialista.

Recursos de ofertas

No centro de uma roda de apostas no mercado sobre quem poderá ser o alvo da Renner para aquisição, após a companhia levantar em oferta de ações cerca de R$ 4 bilhões, o presidente da varejista, Fabio Faccio, diz que parte do valor já começou a ser utilizada com o desenvolvimento de iniciativas internas – digitalização, inovação e ampliações do ecossistema de produtos e serviços com viés de sustentabilidade. Esses mesmos pilares, frisou, também orientarão futuros movimentos de aquisições, mas que neste momento não há novidades. “Estamos estudando algumas possibilidades.”

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