HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
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Renova Energia vende eólicas por R$ 1,6 bilhão

Negócio vai incorporar 336 MW ao portfólio da SunEdison; acordo assinado entre as duas companhias prevê ainda a preferência da americana na compra de outros parques eólicos, de 1.700 MW, que devem ser colocados em operação pela Renova até 2019

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 17h41

Atualizado às 22h20

A Renova Energia anunciou ontem a venda de 14 parques eólicos e três pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) para a empresa americana SunEdison por R$ 1,63 bilhão. O negócio vai incorporar 336 MW ao portfólio da empresa americana. O acordo assinado prevê ainda a preferência na compra de outros parques eólicos, de 1.700 MW, à medida em que a Renova colocá-los em operação até 2019.

As condições do negócio anunciado ontem preveem o pagamento à Renova por meio de ações e dinheiro. Tudo vai depender do resultado da primeira emissão de ações (IPO, na sigla em inglês) que a empresa TerraForm Global, uma espécie de subsidiária da SunEdison, está fazendo na Bolsa de Nova York. A Renova receberá ações da empresa, mas a expectativa é de que metade do pagamento seja feita em dinheiro.

O pedido formal para a emissão da TerraForm foi feito ontem na comissão de valores mobiliária americana (SEC, na sigla em inglês) e dependia do fechamento do acordo com a Renova. O modelo de negócios da SunEdison, que fabrica painéis solares mas também é dona de parques geradores de energia renovável em 25 países, é feito de modo que as plantas de geração que estejam em operação e com a energia já vendida no longo prazo sejam transferidas para empresas filiais. Essas empresas abrem o capital na bolsa americana com a promessa de dividendos mínimos a serem pagos regularmente.

A Renova quer se aproveitar desse modelo para se financiar no longo prazo. Hoje a companhia tem um portfólio de 2.500 MW de energia já vendida em leilões do governo federal. Os sócios da empresa precisam aportar entre 20% e 25% de capital em cada projeto para fazer frente ao financiamento do BNDES. Esse capital acaba ficando indisponível pelos prazos dos empréstimos ou da concessão, que podem chegar a 30 anos.

Os sócios já aportaram um total de R$ 2,5 bilhões nos parques que estão em operação e nos que estão sendo construídos. Com o negócio fechado com a SunEdison, que está sendo assessorado pelo BTG Pactual, a cada parque que entra em operação, a Renova recupera capital para novas operações.

Para a SunEdison, a operação dá força à emissão de ações da TerraForm Global, que tem um parque ainda pequeno em seu portfólio. No prospecto entregue ontem à SEC, a aquisição da Renova foi o grande destaque do formulário. A empresa chegou a informar que 40% será pago efetivamente em dinheiro. Pelas condições do acordo, a Renova também terá preferência para prestar o serviço de operação dos parques.

Evolução. Batizada inicialmente de Enerbras, a Renova nasceu em 2000, quando os amigos de exército Ricardo Delneri e Renato Amaral decidiram, depois de anos investindo em diferentes negócios, entrar na área de energia. Em 2007, partiram para o negócio de eólicas. Contrataram um consultor para dar as dicas de que parques comprar e já no primeiro leilão de energia dos ventos venderam 294 MW em parques localizados na Bahia e que estão sendo agora vendidos para a SunEdison. Nesse período dois fundos de private equity aportaram capital na empresa: InfraBrasil e FIP Ambiental. Em 2010, a Renova abriu capital na Bolsa.

No ano seguinte, a Light se tornou sócia da empresa, seguida por BNDESPar e Cemig, no ano passado. Ricardo e Renato têm hoje 20% da empresa e a Cemig tem 28%. Segundo informações da companhia, a operação já foi aprovada por todos os sócios.

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