Reserva cambial precisa ser um pouco queimada, diz Bacha

De acordo com o economista, isso sinalizaria ao mercado que o governo se preocupa com a apreciação do dólar

Gustavo Porto, da Agência Estado,

26 de agosto de 2013 | 14h05

O diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica (Iepe) da Casa das Garças (CdG) e membro da equipe econômica que criou o Plano Real, Edmar Bacha, afirmou que o governo "precisar queimar um pouco de reservas cambiais" para sinalizar ao mercado que se preocupa com a apreciação do dólar.

De acordo com Bacha, as ações em derivativos e nas linhas cambiais no mercado futuro podem ser insuficientes para segurar a alta na moeda dos Estados Unidos porque não dão a liquidez necessária do mercado à vista.

"O dólar ''verde-amarelo'' é bom, mas quando o pessoal for querer, vai querer dólar mesmo. Tem de estar disposto a queimar um pouco de reserva, porque só atuar em derivativos e nas linhas, não é suficiente. É preciso assegurar que tenha liquidez no pronto", disse Bacha, após participar do seminário "Reindustrialização do Brasil", em São Paulo. "O Banco Central sabe disso. Não pode deixar de ter liquidez no pronto e criar no imaginário que você não precisa mexer nas reservas como se elas fossem sagradas", completou.

O economista, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), diz que ainda é difícil avaliar se o dólar no atual patamar de R$ 2,40 é bom ou ruim para os empresários por conta de um cenário conjuntural ruim, segundo ele. "Eu não gosto de discutir se chegou ou não ao câmbio que eu queria, porque não é esse o ponto. O ponto é ter um programa estruturado, consensual, planejado e não ficar reagindo às contingências do momento, como está acontecendo agora", criticou.

Bacha evitou comentar os impactos da alta do dólar na inflação e brincou: "Não faço análise (do impacto do dólar na inflação). Câmbio foi inventado por Deus para humilhar os economistas", concluiu.

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