Restrições de voos diminuem na Europa, conforme vulcão perde força

O setor de aviação está pressionando pela reabertura das rotas, no momento em que as erupções de um vulcão na Islândia parecem perder força

Gabriel Bueno,

19 de abril de 2010 | 14h24

Controladores aéreos davam nesta segunda-feira sinais de relaxamento nas restrições de voo que têm afetado o norte e o centro da Europa nos últimos cinco dias. O setor de aviação está pressionando pela reabertura das rotas, no momento em que as erupções de um vulcão na Islândia parecem perder força.

 

As empresas do setor de voos e viagens sofrem com a crise, que representa milhões de dólares de perdas diárias desde a quinta-feira. A crise é apontada como uma ameaça à frágil recuperação econômica na Europa.

 

Autoridades britânicas afirmaram que as restrições aos voos podem ser retiradas na terça-feira na Inglaterra e no País de Gales, permitindo voos em aeroportos de Londres como o Heathrow. Elas informaram que a proibição de voos seguirá em vigor até as 3h (de Brasília) desta terça-feira.

 

"A erupção vulcânica diminuiu e o vulcão não está mais emitindo cinzas a altitudes que irão afetar o Reino Unido. Caso não haja mais emissões de cinzas significativas, nós estamos agora prevendo uma situação de melhoria contínua", afirmou a autoridade de tráfego aéreo do Reino Unido (NATS, na sigla em inglês).

 

A British Airways, uma das mais atingidas pelo caos, afirmou que estava perdendo entre 15 milhões e 20 milhões de libras por dia, em vendas e custos com passageiros que não podem voar. A companhia informou que realizou um teste no domingo, sem registrar impacto das nuvens de cinza sobre o Reino Unido. A British Airways pediu ao governo britânico que decida se é seguro voar. A companhia opinou que uma proibição total ao tráfego aéreo era "desnecessária".

 

Funcionários do setor aéreo continuaram, nesta segunda-feira, a criticar parlamentares da União Europeia por não reagirem mais rápido à crise. Segundo eles, autoridades estão reagindo com excessivo zelo ao fechar grandes áreas de espaços aéreos sem análises detalhadas das condições atmosféricas e dos supostos riscos.

 

A Associação Internacional do Transporte Aéreo estima que as companhias pelo mundo estejam perdendo cerca de US$ 250 milhões por dia por causa das restrições. Mais de 63 mil voos haviam sido cancelados até o fim do domingo. Nesta segunda-feira, apenas 30% dos voos previstos na Europa deveriam de fato ocorrer, segundo a Eurocontrol, organização de segurança aérea europeia. Entre 8 mil e 9 mil voos deveriam ocorrer, de um total de 28 mil previstos.

 

Na tarde de quarta-feira, a Lufthansa informou ter recebido uma autorização especial de autoridades para realizar 50 pousos na Alemanha. Os aviões - vindos de Ásia, África e das Américas do Norte e do Sul - devem pousar na terça-feira nos aeroportos de Frankfurt, Munique e Dusseldorf, afirmou um porta-voz. No total, eles devem transportar cerca de 15 mil passageiros.

 

Parlamentares da UE afirmaram que não estavam preparados para arriscar vidas. Autoridades do setor de aviação e especialistas em segurança disseram estar seguindo normas das Nações Unidas e levando em conta incidentes anteriores.

 

Os espaços aéreos sobre Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Hungria, Irlanda, Holanda, o norte da Itália, Polônia, Romênia, Eslovênia, Suíça e partes de Ucrânia e Reino Unido ainda estão fechados nesta segunda-feira.

 

Uma porta-voz da Agência de Proteção Civil da Islândia informou nesta segunda-feira que o vulcão Eyjafjallajokull ainda estava em erupção, mas com a intensidade diminuindo. A nuvem de cinzas atualmente não passa dos três quilômetros, disse ela, enquanto na sexta-feira essa nuvem se elevava até cinco quilômetros, em média. As partículas de cinzas poderiam causar danos nos motores dos aviões.

 

As informações são da Dow Jones.

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