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Reunião do FMI foi pouco conclusiva sobre Europa

Para André Perfeito, da Gradual Investimentos, o Fundo não está conseguindo cumprir a seu papel de agente estabilizador do sistema

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

26 de setembro de 2011 | 14h44

A reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi muito pouco conclusiva sobre a questão do endividamento soberano europeu. A diretora-gerente, Christine Lagarde, não está conseguindo organizar as forças da instituição multilateral para ordenar um empréstimo. Talvez o momento para um empréstimo, para ajudar a Grécia por este canal, tenha chegado ao fim. As avaliações foram feitas pelo economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

Para o analista, a falta de direção derivada das reuniões realizadas no final de semana, em Washington, possivelmente é a causa do "desconforto enorme" experimentado pelos mercados financeiros na manhã de hoje. "Isso se traduz em volatilidade hoje", ponderou. "O FMI não está conseguindo cumprir sua função, que é de agente estabilizador do sistema", disse.

É possível para a Grécia ter um calote ordenado da sua dívida, considera o analista. "Isso pode ser feito, pois já sabemos onde está o prejuízo". Perfeito observa que foi feita uma investigação exaustiva para ver quem detém cada parcela da dívida europeia. "Diferentemente da quebra do Lehman Brothers, em 2008, quando passamos por um momento de pânico, pois ninguém sabia quem detinha (os chamados papéis tóxicos), a questão está muito bem localizada hoje. Não quer dizer que seja fácil, mas, levando em conta o fato de ser conhecido onde está de fato o problema, pode ajudar bastante", afirmou.

Perfeito cita que a Grécia já está em default. "Está claro que não vai conseguir honrar a dívida, agora a questão é assumir de vez a realidade", completou. Ele considera, porém, que ainda é uma incógnita saber se um calote ordenado evitaria contágio para outros países da região da zona do euro. O economista afirma que os governos precisam solucionar a equação de como ser austero sem ser recessivo. "A mensagem dada até agora é: vamos fazer ajuste fiscal e os países não vão crescer". Se insistirem neste ponto, acrescentou Perfeito, os governos podem forçar os ajustes que quiserem que vão quebrar o país no curto prazo e, no longo prazo, também vão tornar o país insolvente.

A Grécia não será abandonada pela União Europeia, acredita Perfeito. "A quebra da Grécia pode ser um alerta para o Velho Continente. Há (formas para) organizar em torno de Itália e Espanha uma espécie de rede de proteção mais robusta do que se organizou para a Grécia", acrescentou.

Os níveis de aversão ao risco em escala global devem fazer com que o dólar continue em trajetória de valorização. No curto prazo, para o economista, não há como descartar a possibilidade de que a moeda norte-americana teste, ante o real, níveis próximos aos registrados durante a quebra do Lehman Brothers, quando chegou a R$ 2,50. "Fazer qualquer projeção é algo muito precário (hoje)", enfatizou. Mas Perfeito salienta que no médio e no longo prazo o dólar tende a reverter trajetória em face dos fundamentos macroeconômicos brasileiros.

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