Rio Tinto deixa mercado à vista de minério de ferro

A Rio Tinto está vendendo a maior parte de seu minério de ferro a preço fixo ou referenciado de maneira provisória, interrompendo a maior parte das vendas no mercado à vista, que foram responsáveis por metade de sua produção no primeiro semestre.

REUTERS

20 de agosto de 2009 | 10h28

Os comentários do presidente-executivo da Rio, Tom Albanese, dão apoio a rumores de que muitas usinas siderúrgicas da China concordaram de maneira tácita com a redução de 33 por cento no preço da commodity, estabelecido em maio por compradores japoneses.

"Atualmente, estamos vendendo principalmente a preços provisórios, refletindo o acordo de referência vigente que acertamos com produtores japoneses e de outras regiões e vamos continuar a fazer isso até que as circunstâncias mudem", afirmou Albanese a jornalistas. A segunda maior mineradora do mundo divulgou nesta quinta-feira uma queda de 54 por cento no lucro do primeiro semestre.

A Rio Tinto e outras mineradoras transferiram milhões de toneladas de minério para o mercado à vista no início deste ano, depois que siderúrgicas fora da China cortaram de maneira abrupta a produção por causa da recessão.

Mas a demanda da China disparou graças ao pacote de estímulo econômico do governo. Enquanto isso, especuladores aproveitaram para montar estoques de minério de ferro e aço, ajudando a elevar os preços à vista para acima de 100 dólares a tonelada de minério padrão, com 63,5 por cento de concentração. Em maio, o preço de referência acertado foi de 63 dólares a tonelada.

Como os preços do mercado à vista dispararam, a exigência da Associação de Ferro e Aço da China de desconto de até 45 por cento nos preços do minério neste ano parece cada vez menos sustentável.

Albanese afirmou que basear as vendas em preços provisórios relativos ao desconto de 33 por cento no preço de finos foi "apropriado", dado que as discussões com os chineses estão envoltas ainda pelo episódio de prisão de quatro funcionários da Rio Tinto no mês passado.

Apesar de metade das 77 milhões de toneladas de minério de ferro que a Rio Tinto produziu no primeiro semestre deste ano ter sido vendida com base no mercado à vista, a empresa tem sido menos incentivadora que a rival BHP Billiton nos pedidos para um fim do sistema de estabelecimento anual de preços de referência, que já dura 40 anos.

O interesse de siderúrgicas asiáticas em assinar novos contratos de longo prazo mostra que ainda há espaço para o sistema, considerado como ultrapassado, afirmou Albanese.

Tudo o que sabemos sobre:
SIDERURGIAMINERIOCHINA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

  • O Pix é seguro? Veja dicas de especialistas sobre o sistema de pagamentos
  • 13º salário: quem tem direito, datas e como a pandemia pode afetar o cálculo
  • Renda básica: o que é, quais os objetivos e efeitos e onde é aplicada

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.