Risco de crédito de empresas não retomou nível pré-crise

Apesar do forte avanço da economia brasileira no ano passado, as empresas nacionais ainda não retomaram os níveis de classificação de risco de crédito anteriores à crise financeira de 2009. A Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito, divulgou hoje que, de uma amostra de 259 empresas, 74% tinham classificação de baixo risco em março. Antes da crise de 2009, esse porcentual era de 82%.

ÁLVARO CAMPOS, Agencia Estado

24 de maio de 2011 | 17h59

De acordo com a Serasa, as dificuldades enfrentadas por algumas empresas durante a crise fizeram com que elas fossem classificadas como médio e alto risco de crédito. Em 2010, as empresas foram beneficiadas pelo cenário favorável de emprego e renda da população ocupada e pela expansão creditícia, favorecendo a elevação do consumo interno. Apesar disso, como existem setores que dependem do mercado externo, algumas empresas ainda não conseguiram retornar ao patamar pré-crise. Em março deste ano, 21% das empresas tinham classificação de médio risco e 5% de alto risco.

A indústria é o setor mais afetado. Na avaliação da Serasa, o segmento é prejudicado pela recente valorização do real ante o dólar, que faz com que a indústria brasileira perca espaço no mercado internacional. Esse efeito é sentido especialmente em áreas como siderurgia, química e petroquímica, têxtil e vestuário. Antes da crise, na indústria 83% das empresas tinham classificação de baixo risco, sendo que em março deste ano esse porcentual ficou em 71%.

Segundo Márcio Torres, gerente de crédito da Serasa Experian, após a análise surgiu um novo fator que pode complicar a situação das empresas brasileiras: as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para tentar conter a inflação, o que vai diminuir o consumo. "Provavelmente, as empresas nunca mais voltem às classificações pré-crise, porque o mercado muda muito rápido, e agora nós temos esse outro tipo de problema", comenta.

Torres lembra que, à medida que a empresa tem uma classificação de risco pior, fazer negócios com essa companhia fica mais arriscado, e esse risco é embutido no custo dos empréstimos. "Além disso, no Brasil nós temos dois outros fatores, que é o custo do dinheiro e a inadimplência das empresas, que também tornam o crédito mais caro", explica.

Serviços e comércio

No setor de serviços, 78% das empresas eram classificadas no baixo risco em março deste ano, índice inferior ao registrado em junho de 2008, de 84%. No comércio, a classificação de baixo risco abrangia 76% das empresas antes da crise, sendo que neste ano o porcentual foi de 73%. A Serasa aponta que o segmento foi beneficiado, entre outros fatores, pelas reduções tributárias pontuais promovidas pelo governo federal.

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