Risco para estabilidade global permanece elevado, diz BC

Em Relatório de Inflação, BC enxergou no entanto um recuo na probabilidade de ocorrência de 'eventos extremos' nos mercados financeiros internacionais

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

20 de dezembro de 2012 | 09h45

BRASÍLIA - O Banco Central avalia que, desde setembro, quando divulgou o Relatório Trimestral de Inflação anterior, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram "elevados". Em particular, de acordo com a autoridade monetária, os que são consequência do processo de desalavancagem nos principais blocos econômicos.

Apesar disso, o BC enxerga no documento publicado nesta quinta-feira um recuo na probabilidade de ocorrência de "eventos extremos" nos mercados financeiros internacionais.

No Relatório de hoje, a avaliação é a de que a economia global tem enfrentado um período de incerteza "acima da usual", com perspectivas de baixo crescimento por "período prolongado". Isso, apesar da recente acomodação nos indicadores de volatilidade e de aversão ao risco.

"Altas taxas de desemprego por longo período, aliadas à implementação de ajustes fiscais, ao limitado espaço para ações anticíclicas e a incertezas políticas, traduzem-se em projeções de baixo crescimento em economias maduras, principalmente na Europa", diz o documento.

Em relação à política monetária, o BC salientou que as economias maduras persistem com posturas fortemente acomodatícias. Já nas economias emergentes, conforme o documento, o viés da política monetária se apresenta expansionista, de um modo geral.

O BC lembrou que isso se conjuga, em alguns casos, com outras ações anticíclicas. "Nesse cenário, destacaram-se a valorização dos principais mercados acionários, o aumento nas cotações das commodities metálicas, e a manutenção da trajetória de recuperação do segmento imobiliário dos Estados Unidos.

Setor público

O Banco Central informou há pouco, no Relatório Trimestral de Inflação, que iniciativas recentes apontam o balanço do setor público se deslocando de uma posição de neutralidade para expansionista. Diz ainda que são limitados os riscos de descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda.

Em termos de mercado de fatores, o BC diz que um risco importante para a inflação advém do mercado de trabalho. Sobre o fator capital, os investimentos mantiveram desempenho insatisfatório desde o último relatório de inflação, segundo BC. "O Copom avalia que a dinâmica conjunta dos mercados de fatores - sob a perspectiva do hiato do produto - tende a se posicionar no campo desinflacionário no curto prazo."

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