Ritmo de crescimento da indústria cai a 44,7 pontos em dezembro, diz CNI

Última vez em que o indicador mensal havia apurado desaceleração na atividade foi em janeiro de 2010, quando ficou em 49,2 pontos

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2011 | 10h38

O ritmo de crescimento da indústria caiu no fim do ano passado, de acordo com sondagem de dezembro divulgada há pouco pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em uma escala onde valores acima de 50 pontos indicam crescimento, a evolução da produção industrial no mês ficou em 44,7 pontos, 5,3 pontos abaixo da linha divisória. Em novembro, o indicador registrado 52,7 pontos.

A última vez em que o indicador mensal havia apurado desaceleração na atividade foi em janeiro de 2010, quando ficou em 49,2 pontos. 

No documento divulgado há pouco, a CNI afirma que "a produção cresceu de forma moderada em outubro e novembro e recuou em dezembro mais que o esperado".

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria ficou baixo do usual para os meses de dezembro. Em uma escala onde 50 pontos correspondem ao desempenho esperado para o período, a UCI ficou em 48,2 pontos, em dezembro, o menor resultado do ano de 2010. Em novembro, o indicador registrou 50,4 pontos.

De acordo com a CNI, o porcentual médio de utilização da capacidade instalada no quarto trimestre do ano passado foi de 77%, um ponto porcentual acima do registrado no terceiro trimestre do ano, mas idêntico ao apurado no quarto trimestre de 2009.

Segundo o documento, os estoques na indústria ficaram praticamente conforme o nível planejado pelos empresários, com indicador de 50,1 pontos, o que, segundo a CNI, "denota que não há excesso ou falta de estoques". No quarto trimestre do ano, o indicador registrou média de 49,2 pontos, ou seja, um recuo em relação ao trimestre anterior.

O número de empregados na indústria cresceu pelo sexto trimestre consecutivo, com o indicador em 52,2 pontos no último trimestre de 2010. O ritmo de crescimento, no entanto, caiu em relação aos cinco trimestres anteriores. 

Situação financeira

Apesar do ritmo de crescimento da indústria no fim de 2010 ter sido menor do que o observado no início do ano passado, a queda na atividade em dezembro não prejudicou as condições financeiras das empresas, que continuam otimistas para os próximos seis meses.

Em uma escala em que 50 pontos indicam satisfação, o indicador que avalia a situação financeira das empresas registrou 54,7 pontos no quarto trimestre de 2010, considerada mais do que satisfatória.

A avaliação sobre margem de lucro operacional das indústrias ficou em 49,2 pontos no quarto trimestre do ano passado. No trimestre anterior, o indicador registrou 50,4 pontos. Já o acesso ao crédito manteve-se insatisfatório, com variável em 47,1 pontos, ante 47,7 pontos no terceiro trimestre.

Ainda assim, os empresários continuam otimistas em relação ao aumento da demanda nos próximos seis meses, cujo indicador ficou em 58,1 pontos em janeiro deste ano. Segundo a CNI, no entanto, a variável está abaixo do patamar apurado em janeiro do ano passado, quando chegou a 62,9 pontos.

Da mesma forma, a intenção de compras de matérias-primas por parte da indústria ficou positiva, com 56,8 pontos. As perspectivas de novas contratações no período ficaram em 53,2 pontos, sinalizando a continuidade do ritmo moderado de aumento do emprego industrial, na avaliação da CNI.

Já as expectativas em relação às exportações continuam apontando para a queda nas vendas ao exterior. Em janeiro, o indicador ficou em 49 pontos. A sondagem industrial foi realizada entre os dias 3 e 20 de janeiro, com 1.518 empresas. 

Perspectiva

Com o aperto monetário promovido pela equipe econômica do governo, o desempenho da indústria no primeiro trimestre deste ano deve ser ainda mais fraco do que o registrado no fim do ano passado, na avaliação do gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

"A concorrência com produtos importados, que já afetava a indústria, deve ser agravada pela piora de crédito no começo deste ano, que deve afetar a demanda por bens industriais. Ninguém espera uma recessão, mas o crescimento deve ser menor", disse Fonseca.

No fim do ano passado, o Banco Central aumentou os depósitos compulsórios para financiamentos de longo prazo para consumo e, na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou em 0,5 ponto porcentual a taxa básica de juros, para 11,25%  ao ano.

Segundo Fonseca, a indústria já vinha passando por um arrefecimento no ritmo de expansão ao longo de 2010, devido a retirada dos incentivos tributários dados a alguns setores durante a crise. No entanto, ressaltou, a queda nos meses à frente pode ser amenizada se o aperto monetário não for tão intenso. "Se o aperto não for tão forte, é possível voltar a crescer no decorrer do ano", avaliou. "Sem um cenário externo favorável, a indústria fica mais dependente do desempenho da demanda interna", completou.

Queda inesperada

Para a CNI, a queda na produção em dezembro foi maior do que a esperada. De acordo com sondagem divulgada há pouco pela entidade, a atividade no mês caiu e a utilização da capacidade instalada ficou abaixo do usual para o período. "Normalmente há queda de produção no fim do ano, mas dessa vez foi maior que o usual", afirmou Fonseca

As expectativas dos empresários para os próximos seis meses continuam positivas, mas em patamares menores, o que pode afetar as decisões de investimentos e contratações. "Os empresários terão mais cautela este ano", completou o executivo. 

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