Roberto Rodrigues diz que agricultura entrará num "ciclo negativo"

São Paulo, 27 - "Estamos entrando num ciclo negativo na agricultura", disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em debate nesta tarde, em São Paulo, com o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi. Ele chamou de ciclo negativo a tendência de queda de preços e alta de custos que virá com uma grande safra em 2005. O resultado será visto mais claramente no ano que vem, disse o ministro, por causa dos problemas na comercialização da safra 2005 e de queda de renda dos produtores. Outra questão destacada por Rodrigues foi o risco do apagão logístico. Ele lembrou que o governo já liberou R$ 62 milhões para reforma de portos até o começo do ano e que o Ministério da Agricultura mapeou para o Ministério dos Transportes os principais trechos de estrada que precisam ser reformados até o começo da colheita. "Serão asfaltados 7.500 quilômetros." Já o governador Blairo Maggi fez uma incisiva defesa do crescimento da agricultura em seu Estado, argumentando que a atividade está sendo feita de forma sustentável e respeitando o meio ambiente. Maggi respondeu a críticas de ecologistas que argumentam que a produção de grãos está ameaçando a Amazônia e que o governo do Estado do Mato Grosso estimula essa atividade. O governador citou dados sobre a região, destacando que a área responde por 61% do território brasileiro e que 14,8% da Amazônia Legal está hoje ocupada com atividades agropecuárias ou exploração de florestas. "Não estamos invadindo a floresta amazônica", disse ele, enfatizando que ainda há grandes áreas de cerrado e de pecuária para serem ocupadas com atividades agrícolas. Um dos dados que ele fez questão de destacar é a área de Lucas do Rio Verde, que já estaria praticamente toda ocupada e mesmo assim com áreas de preservação que representam 35% do município. "Isso mostra como os produtores do Estado são conscientes e estão fazendo uma agricultura sustentável". Ele acredita que ainda há no cerrado brasileiro 66 milhões de hectares disponíveis para a agricultura. Maggi destacou ainda a decisão do conselho da IFC (Corporação Internacional de Finanças), braço do Bird (Banco Mundial) encarregado de financiar a iniciativa privada, de liberar um financiamento para o Grupo Maggi na semana passada. Um grupo de ONGs ambientalistas pediu ao Banco Mundial que o projeto do Grupo fosse enquadrado na categoria A, usada para projetos de alto risco ao ambiente. Mas os recursos foram aprovados nos termos pedidos pelo grupo, que se enquadrou na categoria B. Isso porque, disse Maggi, os recursos serão usados para financiar produtores que fornecem para o grupo. Maggi explica que o Grupo tem estimulado projetos conservacionistas e sustentáveis entre os seus fornecedores e que a decisão contrária do IFC poderia ser um desestímulo para esses fornecedores.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2004 | 18h29

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