Roberto Rodrigues espera suspensão de embargo russo em 10 dias

Ribeirão Preto, 1 - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse esperar pela suspensão do embargo russo à carne brasileira em até 10 dias úteis, ou seja, até o final da próxima semana. "Trabalhamos muito pela suspensão do embargo nesse prazo, mas depende muito da posição política da Rússia. Os argumentos técnicos foram respondidos e, por isso, não há razão para que isso continue", afirmou o ministro, em Ribeirão Preto (SP), durante a abertura da segunda fase da campanha de vacinação paulista contra a febre aftosa. Segundo o ministro, apesar de o País ter como meta tornar-se livre da aftosa em 2007, o governo trabalha para que esse prazo seja adiantado e ainda luta para que toda a América do Sul possa acabar com a doença em bovinos. "A aftosa tem se transformado em um problema que limita dramaticamente a competitividade da carne brasileira. É mais do que óbvio que ou Brasil acaba com aftosa, ou a aftosa acaba com o Brasil", disse Rodrigues. O ministro lembrou ainda que o fato de o País ser dividido em zonas livres da aftosa, livres com vacinação e também não-livres da doença faz com que grandes mercados como Estados Unidos, Japão e Coréia não comprem a carne do País. "Apesar de São Paulo vacinar 100% do seu rebanho, há ainda uma franja nas regiões Norte e Nordeste com casos da doença. Vamos acabar com a aftosa e isso é uma decisão política e irrecorrível", concluiu. O ministro afirmou ainda que o avanço do Brasil nas exportações mundiais de produtos agropecuários e agroindustriais e os ganhos de produtividade conseguidos pelo País causam uma insatisfação mundial. "Não há país que esteja tranqüilo com esse avanço. Há uma ira em relação ao crescimento do Brasil e uma reação evidente nas mesas de negociações internacionais", disse Rodrigues. Na opinião do ministro, o fato de a Organização Mundial do Comércio (OMC) sinalizar claramente pela redução de subsídios comerciais faz com que os países ricos busquem, nas barreiras sanitárias, outra forma de proteção aos seus produtos. Rodrigues classificou as barreiras sanitárias como "questões políticas e de segurança" e citou os sucessivos embargos feitos às carnes brasileiras em virtude da ocorrência da febre aftosa na Região Norte para exemplificar os entraves. "A Rússia suspendeu a compra de carne de frango em Santa Catarina em virtude da ocorrência de um caso de aftosa bovina no Amazonas. Argumentos como esses vão pulular a partir de agora", explicou Rodrigues.

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