Robô camareiro começa a ser testado em hotel dos EUA

Atendentes robóticos com rodas são projetados para transportar itens até os quartos e retirar a roupa para lavanderia, entre outros serviços para os hóspedes

John Markoff, The New York Times

13 de agosto de 2014 | 09h51

CUPERTINO - É como o irmão bonzinho do exterminador do futuro.

Num lobby de hotel localizado bem diante do campus corporativo da Apple, um recepcionista deposita um cartão no compartimento de um robô de 90cm de altura, inserindo o número de um quarto numa pequena tela. O robô, "Botlr", responde com um ruído ao estilo de R2D2 e parte em direção ao elevador para chegar ao seu destino final.

No dia 20 de agosto, o hotel Aloft vai começar a testar esse atendente robótico, um veículo de serviço com rodas projetado para transportar itens do saguão do hotel até os quartos dos hóspedes. Parte atração excêntrica, parte sinal do que o futuro reserva, o Botlr é o mais novo modelo da geração de robôs que começa a caminhar pelo mundo cotidiano - como o carro do Google sem motorista, o robô de suprimentos hospitalares Tug, da Aetheon, e o caddy elétrico Caddytrek nos campos de golfe.

Empregos. Não chega a surpreender que esses primeiros passos robóticos em direção ao mercado de massas tenham levado a certo nervosismo: quais são as consequências da inteligência artificial mais espera do que nós, como vista em filmes como Her e Transcendence? Será que o próximo estágio da automação das máquinas vai levar à eliminação de mais empregos?

A Aloft Hotels e a Savioke, startup do Vale do Silício que projetou o Botlr, insistem que não estão interessadas na automação como forma de eliminar o trabalho humano. Elas dizem que estão apenas aprimorando a marca da pequena cadeia de hotéis, conhecida pela implementação da tecnologia, esperando também aumentar em parte a eficiência.

"Vejo isso como uma melhoria em nosso serviço ao cliente", disse Brian McGuiness, vice-presidente sênior da Starwood Hotels para suas marcas Specialty Select, que incluem os 100 hotéis Aloft a serem abertos em 14 países até o ano que vem. "Não é algo que vá substituir nosso talento humano."

De fato, apesar de todo o debate a respeito da intrusão dos robôs no cotidiano, a capacidade dos robôs de realizar tarefas além das mais básicas ainda é algo que só é visto em experimentos de laboratório. A verdade é que a maioria dos pertence à categoria dos aspiradores de pó autônomos fabricados por empresas como a iRobot ou de vários tipos de cortadores de grama. A Federação Internacional da Robótica informou que 16.067 robôs profissionais de serviço foram vendidos internacionalmente em 2012, apenas 2% a mais do que os 15.776 vendidos em 2011.

"Há futuro para a aplicação colaborativa de robôs, seja em fábricas, hospitais ou restaurantes", disse Jeff Burnstein, presidente da Associação de Indústrias Robóticas. "Mas o surgimento de aplicações fora das fábricas tem sido bastante lento. É um processo que ainda deve demorar."

A Starwood usa o hotel Aloft perto do campus da Apple como espaço de testes para os mais novos dispositivos e serviços da cadeia de hotéis conhecida pela alta tecnologia. Eles fazem experimentos com ideias como maneiras fáceis de trazer o conteúdo do smartphone ou do tablet para a tela do quarto de hotel. Além disso, o hóspede pode destrancar a porta de seu quarto usando um aplicativo em seu celular.

Assim, os executivos do hotel se mostraram naturalmente receptivos quando a Savioke, startup do setor de robótica com sede em Santa Clara, Califórnia, entrou em contato com a Starwood no início do ano com a proposta de acrescentar robôs de serviço à gama de dispositivos e serviços de "tecnologia futurista" da cadeia Aloft.

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