Robôs poderão fritar batatas e virar panquecas

Executivos da indústria de fast-food dizem que aumentar salários de funcionários forçaria restaurantes a usar empacotadores de batata robotizados e outras tecnologias

REUTERS

30 de maio de 2016 | 08h05

Enquanto sindicalistas travam uma luta para aumentar consideravelmente os valores pagos aos funcionários do McDonald’s – para um piso mínimo de US$ 15 por hora –, antigos e atuais executivos da indústria de fast-food já disseram que o valor forçaria restaurantes a substituir funcionários por empacotadores de batata robotizados, máquinas de virar panquecas e outras tecnologias.

Para o presidente global do McDonald’s, Steve Easterbrook, mesmo que essas tecnologias venham a ser aplicadas, isso não levaria, necessariamente, a uma redução grande de postos de trabalho.

Ao falar com acionistas na última quinta-feira, na sede do McDonald’s, em Oak Brook, Illinois, ele afirmou que as pessoas são necessárias, pois a rede de lanchonetes faz parte do setor de serviços. “Vamos sempre precisar ter um importante elemento humano”, explicou o executivo.

Protestos. Enquanto a reunião acontecia, do lado de fora cerca de mil trabalhadores e ativistas pediam maiores salários e benefícios. Os manifestantes são parte de um movimento nacional, o “Fight for $15”, que tenta estabelecer o piso de US$ 15 por hora na rede de fast-food.

No ano passado, a empresa aumentou o salário médio para quase US$ 10 por hora. No entanto, esse aumento foi limitado a apenas uma fração de todos os funcionários dos restaurantes, porque franquias operam quase 90% rede de 14 mil lanchonetes nos EUA.

Os manifestantes, que também querem o direto de se sindicalizar, pediram a Easterbrook uma participação nos lucros para funcionários, e não somente para executivos e acionistas.

O McDonald’s diz que não pode dizer às franquias como pagar os seus empregados. O tema é objeto de investigação da Comissão Nacional de Relações de Trabalho. “Isso significa responsabilizar o McDonald’s por manter trabalhadores na pobreza”, disse Naquasia LeGrand, 24 anos, que ganha US$ 8,15 por hora.

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