Rodrigues diz que governo vai garantir renda do produtor

Curitiba, 3 - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse hoje em Curitiba que o governo federal está tomando algumas atitudes a fim de garantir a renda do produtor rural para o próximo ano. Segundo ele, a principal delas é ter recursos no orçamento geral da União "que permitam ao governo interferir no mercado para sinalizar que o governo não vai deixar a renda cair". "Vamos ter recursos para leilão de opções, vamos ter recursos para compra de produtos agrícolas e para a agricultura familiar, a fim de impedir que a renda despenque", afirmou. De acordo com Rodrigues, que participou de um evento das cooperativas paranaenses, de modo geral o conjunto do agronegócio brasileiro deverá estar bem posicionado no próximo ano. "Há algumas dificuldades novas por causa do custo de produção muito alto e algumas commodities caindo, mas o conjunto do agronegócio deverá ir bem", acredita. A expectativa é que, caso as condições climáticas sejam boas, a safra alcance entre 130 e 134 milhões de toneladas. O ministro estima que em algumas áreas, como açúcar, álcool, café, suco de laranja e carnes não haverá prejuízo. "Mas nas áreas em que haverá problemas, na de grãos particularmente, por causa da grande oferta mundial, que implica em redução de preços e aumento de custo de produção, o governo adotará uma série de medidas para minimizar as eventuais perdas que possam ocorrer", garantiu. Além dos recursos alocados no orçamento da União, Rodrigues citou também a melhoria logística e de infra-estrutura. "Talvez o maior problema da agricultura esteja localizado nessa área e o governo tem tido dificuldades até este ano para investimentos. Mas agora já estamos liberando recursos para investimentos em portos", assegurou. Segundo ele, serão R$ 72 milhões em atividades emergenciais como transbordo, acesso e calado. "Com essa atuação esperamos aumentar a margem de exportação para mais US$ 1 bilhão a partir do ano que vem", disse. Sobre a questão do dólar, Rodrigues afirmou que é preciso deixar "o tempo correr um pouco" para se ter a idéia de como estará no período da comercialização. "As taxas, como estão agora, sinalizam prejuízo para todos os setores exportadores brasileiros", lamentou. "No caso da agricultura há um complicador, porque os insumos foram comprados com dólar mais alto, e, se continuar com esse valor mais baixo, o horizonte é de perda mesmo", acrescentou. "Por isso o governo tem que interferir fortemente com instrumentos de capacitação na questão da renda." Ele também sugeriu que os exportadores de forma geral procurem diversificar seus mercados fazendo negócios em outras moedas, como o euro e o iene.

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2004 | 16h30

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