Rossi diz que seguirá política de Lula à frente da Agricultura

Nome do presidente da Conab para a pasta foi indicado pelo deputado federal Michel Temer (PMDB-SP)

Gustavo Porto, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 18h31

Na primeira entrevista após ser confirmado como substituto de Reinhold Stephanes no Ministério da Agricultura, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, disse nesta terça-feira, 30, à Agência Estado que seguirá a política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o setor e que deverá manter praticamente inalterada a equipe de secretários e diretores da Pasta.

 

"A primeira coisa que quero dizer é que será uma continuidade, seguir o programa, com o apoio intenso aos produtores e seguir a política do ministro Stephanes e do presidente Lula", afirmou.

 

Rossi, no entanto, admitiu que deverá levar "três ou quatro pessoas" de sua confiança para o Ministério, mas reafirmou a política de continuidade. "Eu vou fazer do meu jeito, mas a política é a mesma, as pessoas são fundamentalmente as mesmas e não haverá alteração no ministério, que tem um quadro de altíssimo nível, com os melhores técnicos que participam da agricultura que hoje é uma das melhores do mundo", avaliou.

 

"O Stephanes conduziu muito bem a política do ministério até agora e alterações vão dificultar, porque as pessoas terão de recomeçar, compreender os processos em andamento", completou.

 

O presidente da Conab e futuro ministro da Agricultura explicou que irá conversar com Lula na quarta-feira, às 10h30, ou seja, meia hora antes da posse, marcada para as 11 horas, e que, entre outros assuntos, deverá definir quem será o substituto na estatal. "Não tive ocasião de falar ainda com o presidente e sequer sobre o meu substituto", concluiu Rossi.

 

A escolha de Rossi para substituir Stephanes ratifica a força do deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), presidente nacional do partido e apontado como possível candidato a vice-presidente de Dilma Rousseff. Rossi é ligado a Temer e teria sido o único nome indicado pelo PMDB para ocupar um cargo nos ministérios após as saídas dos titulares que irão disputar a eleição de outubro, os quais devem ser substituídos pelos secretários e secretárias executivos.

 

O nome de Rossi enfrentou resistência dentro do PMDB - inclusive do próprio Stephanes, que defendia o secretário-executivo Gerardo Fontelles para o cargo - e também fora do partido.

 

Recentemente, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades na Conab e, como defesa, Rossi afirmou várias vezes que elas ocorreram antes da sua posse e que já havia providenciado alterações pedidas pelo órgão de controle. Antes mesmo do relatório, o deputado federal Fernando Chiarelli (PDT-SP), seu antigo desafeto, pedia a demissão de Rossi. Após o documento, Chiarelli foi à Tribuna da Câmara pedir a cabeça do futuro ministro da Agricultura.

 

Em entrevista concedida no último dia 26 de fevereiro à Agência Estado, na qual admitiu o interesse em ser ministro, Rossi rebateu as críticas feitas por Chiarelli, bem como desafiou o parlamentar a renunciar à Câmara caso comprove alguma denúncia de corrupção contra ele.

 

"O caso dele é de psiquiatria, pois ataca todas as pessoas que têm família, como eu. Ele não suporta a ideia de alguém ser feliz. Não teve competência para ler o relatório do TCU, que é operacional e não traz acusação ética à Conab, apenas proposições para que se mudem procedimentos", afirmou Rossi à época.

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