Ruralistas adiam protestos na Argentina para a próxima semana

Ato é protesto contra impostos de exportação, falta de ajuda do governo e ausência de políticas para o setor

Marina Guimarães, da Agência Estado,

13 de fevereiro de 2009 | 17h23

Os líderes dos quatro principais grupos ruralistas da Argentina decidiram postergar até a próxima semana o início de um locaute e de qualquer medida de protesto contra os impostos de exportação, a falta de ajuda do governo aos agricultores prejudicados pela forte estiagem e a ausência de políticas sustentáveis para o setor. A decisão foi tomada após discurso da presidente Cristina Fernández de Kirchner, o qual deixou claro que não há espaço para diálogo com o setor.

 

A presidente questionou "alguns setores que reclamam tal ou qual isenção de impostos e que têm tido a sorte de ter alta rentabilidade". As palavras de Cristina voltaram a mostrar as diferenças entre as entidades que não entraram em um acordo sobre o início de um novo locaute, similar aos vários realizados no ano passado. A denominada comissão de negociação, que reúne as quatro principais entidades, está dividida sobre os protestos.

 

Enquanto a Federação Agrária, a mais resistente ao governo, declarou que faria um locaute de três dias de grãos, a Confederações Rurais queria incluir a pecuária. A Coninagro e Sociedade Rural, por sua vez, não se mostraram abertas a um novo locaute.

 

Por isso, comissão de negociação preferiu esperar uma semana mais para anunciar quais medidas pretende tomar. No ano passado, o setor agrícola protestou durante quatro meses contra a iniciativa da presidente Cristina Fernandez de elevar a tarifa sobre a exportação de soja. Na ocasião, houve um locaute de 14 dias corridos que provocou desabastecimento no país, e vários outros de três dias que provocaram problemas com embarques e tráfego nas regiões agrícolas do país. Este ano, o objetivo é forçar o governo a dar mais ajuda aos agricultores que perderam parte de sua produção por causa da "pior seca dos últimos 40 anos", como dizem.

 

Os representantes do setor também querem permissão para exportar mais carnes, grãos e leite e políticas que estimulem o aumento da produção. Além disso, pedem a suspensão das tarifas de exportação, que chegam a 35% no caso da soja. Os líderes argumentam que o fim das barreiras para exportar aumentaria os lucros e amenizaria o impacto da quebra de safra sobre os investimentos da safra 2009/10. A comissão de negociação quer ainda o fim da intervenção do governo na formação de preços.

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