Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Russa Letter One propõe injetar US$ 4 bi na Oi se empresa se combinar com TIM

Oferta está condicionada à operação de consolidação do setor; após o anúncio, ações da Oi dispararam e chegaram a subir mais de 15%

Beth Moreira, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 10h46

Atualizado às 17h45

SÃO PAULO - A Oi anunciou nesta segunda-feira, 26, que recebeu uma proposta de aporte de até US$ 4 bilhões do grupo russo Letter One, do bilionário russo Mikhail Fridman, com o objetivo de possibilitar uma consolidação do setor de telecomunicações no mercado brasileiro envolvendo uma potencial combinação de negócios com a TIM Participações S.A..

"De acordo com a proposta, a Letter One estaria disposta a realizar um aporte de até US$ 4 bilhões na Oi, condicionada à operação de consolidação", informa a operadora. Ou seja, o investimento ocorreria sob a condição da Oi promover uma consolidação com a TIM Participações. A proposta, diz, será devidamente analisada pela companhia em conjunto com seus assessores legais e financeiros.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa explica que a proposta foi recebida na última sexta-feira pelo BTG Pactual, contratado para desenvolver alternativas viáveis de estruturas que viabilizem sua participação na consolidação do setor no mercado brasileiro.

O mercado recebeu bem a notícia da proposta. As ações ordinárias da companhia Oi tiveram forte alta, liderando as valorizações da BM&FBovespa. No melhor momento, os papéis avançaram mais de 15%. A TIM, porém, informou em um comunicado que não está em "nenhuma negociação em curso" com a Oi ou com o grupo Letter One, em relação a "qualquer potencial consolidação no mercado brasileiro".

Com o noticiário, o setor de telefonia terminou o dia entre as maiores altas do Ibovespa. Oi PN avançou 6,06%, TIM ON, 5,93% e Vivo PN, 4,29%, as três maiores elevações do índice.

Investidor.interesse do grupo russo já havia sido antecipado pelo Estadão no último dia 23. O bilionário Mikhail Fridman tem investimentos, por meio de seu fundo LetterOne, em companhias de telecomunicações da Europa. Em abril, o fundo L1 anunciou ao mercado planos para investir US$ 16 bilhões em empresas de telecomunicações, tecnologia e também óleo e gás.

Fridman é dono do Grupo Alfa, que controla um dos maiores bancos privados de investimento da Rússia. Nascido na Ucrânia, em 1964, o empresário pertence a uma das famílias mais ricas da Rússia. Ele começou seus negócios na área de entretenimento na década de 80. Hoje, seu grupo é controlador de operadoras de telefonia na Rússia, VimpelCom, e na Turquia, a Turkcell. 

A Letter One, que investe em ativos de energia e tecnologia, tinha cerca de US$ 25 bilhões sob gestão até o final do ano passado.

Dívidas. A proposta da Letter One vem em um momento de persistência das dificuldades financeiras da Oi, mesmo após a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom para o grupo europeu Altice neste ano.

A Oi tenta desde o ano passado viabilizar uma consolidação da indústria de telecomunicações do País enquanto mantém planos de melhoria de sua governança e fazer investimentos em banda larga. A empresa terminou o primeiro semestre com dívida líquida de R$ 34,6 bilhões ao final do primeiro semestre e caixa de R$ 16,6 bilhões.

O presidente-executivo da Telecom Italia, controladora da TIM, Marco Patuano, vem esta semana ao Brasil com agenda oficial de participação em evento do setor em São Paulo.

A Telecom Italia tem afirmado que a operação no Brasil é estratégica para a companhia. Em meados de setembro, o presidente-executivo da TIM, Rodrigo Abreu, tinha afirmado a investidores em Nova York que a operadora não estava buscando "agressivamente" uma fusão e que a empresa estava bem posicionada para se beneficiar da consolidação do mercado. (Com Lucas Hirata, da Agência Estado, informações da Reuters)


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.