Filipe Araújo/AE
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Sadia e Perdigão anunciam Brasil Foods e prometem não demitir

'Temos convicção de que estamos criando um campeão, uma empresa brasileira de porte mundial', diz Furlan

estadao.com.br e Agência Estado,

19 Maio 2009 | 11h55

Os presidentes da Sadia e da Perdigão, Luiz Fernando Furlan e Nildemar Secches, anunciaram nesta terça-feira, 19, em entrevista coletiva a criação da Brasil Foods, a maior processadora de carne de frango do mundo em faturamento. "Anunciamos o lançamento da Brasil Foods, a grande multinacional brasileira de alimentos processados", afirmou Secches. Um dos primeiros compromissos assumidos pelas companhias é a de não demitir funcionários em razão da fusão.

 

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"Em princípio, a fusão não gera sobreposição de fábricas. Com a união gerando sinergia e maior competitividade, certamente haverá uma expansão da produção e de novos mercados", afirmou Furlan. "Não há nenhuma previsão de demissões, as empresas andarão em paralelo. (...) Continuaremos sendo um dos três maiores empregadores brasileiros, com mais de 100 mil pessoas trabalhando."

 

Furlan afirmou que a nova empresa será o maior empregador privado do País. Além disso, segundo ele, a Brasil Foods ocupará o posto de terceiro exportador brasileiro, perdendo apenas para Vale e Petrobras, que são exportadoras de commodities.

 

As operações da Sadia e da Perdigão ficarão separadas até a aprovação do negócio pelos órgãos de defesa da concorrência. Segundo Furlan, os executivos vão visitar autoridades destes órgãos para apresentar a operação. Ele lembrou que várias empresas competem no mercado, como Cargill, Bunge e Tyson, o que favorece a concorrência. "Nenhuma empresa aumenta as vendas subindo o preço. Queremos privilegiar o crescimento", disse.

 

Segundo Secches, as marcas e produtos das duas companhias serão mantidas no mercado. "Vamos ter uma eficiência melhor para atingir novos consumidores a preços acessíveis e boa qualidade", disse. Ele explicou que Brasil Foods será apenas uma marca institucional e que no mercado consumidor continuarão a ser apresentados os produtos Sadia, Perdigão, Batavo, Qualy, etc. No mercado internacional, a Brasil Foods fará um estudo de marcas com o objetivo de selecionar quais as de maior aceitação e assim mantê-las.

 

Furlan informou também que será contratada em breve uma empresa para analisar as sinergias entre as fabricantes. No momento, existem três ou quatro empresas fazendo propostas para a Brasil Foods. "Vamos identificar os talentos da Sadia e da Perdigão para que a fusão seja tranquila e tenha uma equipe sem predominância de um lado ou do outro", disse.

 

Acionistas

 

Ao detalhar a operação durante a coletiva, Secches afirmou que os acionistas da Perdigão ficarão com uma fatia de 68% da Brasil Foods, enquanto os acionistas da Sadia terão participação de 32%. Segundo o executivo, a presidência do conselho será compartilhada entre ele e Furlan.

 

As famílias Furlan e Fontana terão uma participação de aproximadamente 12% na Brasil Foods. A fatia será ligeiramente inferior à da Previ, maior acionista individual, que ficará com 12%. "Ainda nem fizemos as contas para saber a participação exata antes do aumento de capital", disse Secches.

 

Antes da fusão, as famílias controlavam a Sadia com 23% do capital da empresa; a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, tinha 4,16% do capital da Perdigão e 7,33% da Sadia.

 

Ele destacou que a união contempla a parte operacional das empresas, excluindo as atividades financeiras. "Não somos especialistas na área financeira", disse. Mostrando intimidade com Furlan, Secches disse que a fusão é uma solução óbvia para as companhias. "Ambas têm origem e características semelhantes e tinham tudo para estar juntas", disse.

 

Segundo ele, a operação tem sido aguardada por dez anos, quando foi feito o primeiro contrato entre as companhias para o projeto. "Temos convicção de que estamos criando um campeão, empresa brasileira de porte mundial, que deve ser no curto prazo o maior exportador de carnes processadas do mundo", disse Furlan.

 

Captação

 

Em comunicado ao mercado para explicar a operação nesta manhã, as companhias anunciaram que a Brasil Foods realizará uma oferta pública de ações para captação de recursos no valor estimado de R$ 4 bilhões. Segundo Furlan, a oferta deve ser feita até o final de julho.

 

O objetivo da captação é sanar os problemas financeiros da Sadia, que, ao final de março, apresentava uma dívida total de R$ 8 bilhões. Somente no curto prazo, ou seja, até o primeiro trimestre de 2010, a empresa tem um passivo financeiro de R$ 4,27 bilhões. A maior parcela, o equivalente a R$ 1,87 bilhão, vence no terceiro trimestre deste ano.

 

Para Furlan, a oferta pública dará tranquilidade para a nova companhia, que nasce com uma dívida líquida de R$ 10 bilhões. Ele disse que o faturamento da nova companhia deve chegar a R$ 30 bilhões. "Com a emissão, nossa dívida passará para R$ 6 bilhões, o que nos colocará em razoável conforto", disse.

 

Ele ressaltou que o dinheiro captado na oferta será usado para reduzir dívidas mais caras e de curto prazo. Assim, a venda da fábrica da Sadia na Rússia, hipótese que foi levantada pela própria companhia como forma de se capitalizar, não deve mais ocorrer após a criação da Brasil Foods. Segundo Furlan, como não há mais pressão de endividamento no curto prazo, a empresa avaliará melhor a possibilidade de venda da unidade. "Além disso, agora ela tem um potencial maior do que tinha na visão anterior".

 

Em entrevista no Rio, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que a instituição provavelmente participará da operação. Secches, porém, afirmou que isso pode não ser necessário porque a demanda para a operação deve ser alta.

 

"Quase metade da emissão já esta demandada pelos atuais acionistas", disse. O executivo afirmou que a Brasil Foods poderia fazer uma oferta ainda maior do que a de R$ 4 bilhões, mas não considerou necessário. "Avaliamos que o montante seria adequado pra financiar os projetos de investimento", disse. O road show para apresentar a oferta ocorrerá nos Estados Unidos e Europa.

 

Os executivos informaram ainda que a companhia está estudando se dará direito de preferência aos acionistas minoritários na oferta pública de ações. "A intenção é fazer a oferta pública com direito de preferência, mas os moldes em que ela será feita ainda estão sendo estruturados", afirmou o diretor financeiro da Perdigão, Leonardo Saboya.

 

Texto atualizado às 14h22

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