Safra 2004/05: BB vai liberar R$ 4,124 bi para custeio em setembro

Brasília, 30 - O governo vai liberar, via Banco do Brasil, R$ 5 bilhões para os agricultores no mês de setembro. Desse total, R$ 4,124 bilhões serão destinados para custeio das lavouras, R$ 396 milhões para investimento e outros R$ 480 milhões para apoio à comercialização. "É a maior oferta de crédito para a agricultura num único mês", afirmou o gerente executivo do agronegócio do banco, José Carlos Vaz. Considerando a resistência de tradings e de indústrias processadoras em financiar a produção agrícola nesta safra, o Ministério da Agricultura negociou com o Banco do Brasil a antecipação das liberações. "O quadro circunstancial é de menor oferta de crédito. As tradings estão muito resistentes em financiar a agricultura", explicou o secretário de Política Agrícola do ministério, Ivan Wedekin. A resistência vem do fato de muitos produtores de soja, principalmente de Goiás, terem rompido contratos futuros para a entrega da oleaginosa na safra 2003/04. Os contratos foram fechados, no período pré-plantio, a um determinado preço, mas os produtores romperam os acordos firmados depois que as cotações internacionais, no momento da colheita, tiveram alta expressiva. Outro fator que fez o ministério pedir a antecipação das liberações, explicou Wedekin, foi a queda "além do esperado" dos preços agrícolas. O secretário disse ainda que a maior parte dos R$ 5 bilhões será oferecido aos agricultores a taxa de juro fixa do crédito rural, de 8,75% ao ano. Ele acrescentou que se os produtores fossem buscar recursos no mercado livre, o encargo financeiro poderia chegar a 25% ao ano. (Fabíola Salvador, segue) A previsão do Banco do Brasil é liberar, nos três primeiros meses do ano-safra, R$ 7,6 bilhões para a agricultura, R$ 1 bilhão acima do liberado em igual período da safra 2003/04. O ano-agrícola começou em julho. A previsão para o trimestre considera a liberação de R$ 5 bilhões em setembro, maior aporte de crédito feito pela instituição em um único mês. As informações foram divulgadas há pouco pelo gerente executivo de agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz. No ano-safra, o governo prevê liberação de R$ 46,5 bilhões para a agricultura empresarial e familiar. Desse total, o Banco do Brasil deve liberar R$ 25,5 bilhões, incremento de 24% em relação à safra 2003/04. Do total, a instituição vai oferecer R$ 4,1 bilhões para a agricultura familiar e R$ 21,4 bilhões para o segmento empresarial. Além dos R$ 5 bilhões previstos para setembro, outros R$ 856 milhões serão alocados no mês para a agricultura familiar (R$ 710 milhões para custeio e R$ 146 milhões para investimento). "Por enquanto, ainda trabalhamos com a estimativa inicial, mas as liberações podem ficar acima do previsto", afirmou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin. (Fabíola Salvador, segue) No primeiro mês do ano-safra, julho, foram liberados R$ 2,285 bilhões em crédito rural para custeio e investimento. Esse montante é 16% inferior aos R$ 2,73 bilhões de igual mês da safra 2003/04. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, avaliou que a queda não preocupa, pois as contratações devem aumentar nos próximos meses. Do total liberado, R$ 648 milhões foram para programas de investimentos, crescimento de 26%. O secretário confirmou que os técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) irão a campo no começo de outubro para avaliar a intenção de plantio na safra 2004/05. A expectativa é de crescimento na área plantada de soja, milho e algodão, disse ele, sem citar volumes. Questionado se a demora do Congresso Nacional em analisar o Projeto de Lei de Biossegurança, que regulamenta também o plantio de transgênicos, dificulta a tomada de decisão sobre plantio, Wedekin limitou-se a dizer que "a expectativa é que o Senado analise o texto no esforço concentrado de setembro". (Fabíola Salvador, fim)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.