Saída da zona do euro pela Grécia é inviável, diz Loyola

Para ex-presidente do BC, custos econômicos e políticos seriam maiores que os benefícios do desligamento do país da união monetária

Nívea Terumi, do Economia & Negócios,

24 de maio de 2010 | 14h08

A possibilidade de os países da zona do euro com fortes problemas fiscais, em especial a Grécia, saírem do bloco para obter uma maior flexibilidade monetária é inviável política e economicamente, disse nesta segunda-feira, 24, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. Considerando o atual cenário, afirmou, a solução à Europa - e à sobrevivência do euro - está baseada no aumento da produtividade dos países europeus.

"O grande problema da Europa é que se fala dela no singular, quando na realidade se está diante de um cenário coletivo", alegou o ex-presidente do BC. Para ele, a dissonância entre países altamente competitivos, como a Alemanha, e outros com elevadas demandas de reformas e aumento de produtividade, como é o caso da Grécia, é o que agrava as dúvidas sobre a sustentabilidade da moeda única.

Diante do elevado custo de se deixar o euro, a questão no curto prazo é saber como se dará a execução dos pesados ajustes fiscais pelos países altamente deficitários e endividados do bloco, apontou Loyola. Fica a dúvida, acrescentou, se haverá o estabelecimento de uma autoridade fiscal única na zona do euro, assim como já ocorre com a autoridade monetária, unificada por meio do Banco Central Europeu (BCE).

"Fica difícil imaginar um país como a Alemanha, com histórico de forte controle das contas públicas, aceitar as mesmas regras de países que não respeitaram os limites de endividamento", explicou. Mesmo assim, o ex-presidente do BC destacou que a própria Alemanha é a grande interessada na manutenção da zona do euro e, em consequência, da moeda única, uma vez que a construção da união monetária tem um papel geopolítico fundamental para o país.

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