Saldo de viagens internacionais tem déficit recorde em fevereiro

A conta de viagens internacionais registrou um déficit de US$ 1,236 bilhão em fevereiro, maior valor para esse mês do ano da série histórica

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

22 de março de 2013 | 11h10

BRASÍLIA - A conta de viagens internacionais registrou um déficit de US$ 1,236 bilhão em fevereiro, maior valor para esse mês do ano da série histórica. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, esse saldo negativo é resultado do volume de despesas pagas por brasileiros no exterior acima das receitas obtidas com turistas estrangeiros em passeio pelo Brasil.

O saldo negativo ficou um pouco maior do que o visto em fevereiro de 2012, recorde anterior para o segundo mês do ano, de US$ 1,129 bilhão, mas abaixo do US$ 1,598 bilhão verificado em janeiro de 2013. No acumulado do ano, o déficit da conta de viagens somou US$ 2,834 bilhões ante US$ 2,464 bilhões vistos em igual período de 2012.

O déficit com viagens internacionais até o dia 20 de março está em US$ 854 milhões, segundo adiantou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. "As contas de viagens internacionais continuam crescendo este mês e a parcial de março já mostra fluxo significativo", disse, acrescentando que tanto o volume de fevereiro quanto o do primeiro bimestre do ano também foram recordes.

O movimento do câmbio recente foi um fator adicional neste quadro, conforme Maciel, pois favorece as despesas com viagens. Ele salientou que o saldo líquido em março do ano passado foi de US$ 997 milhões, volume que tende a ser ultrapassado este mês.

O chefe do Departamento Econômico do BC desmembrou os dados parciais de março, revelando que as receitas somaram US$ 418 milhões, enquanto as despesas foram de US$ 1,273 bilhão. Maciel adiantou também outros números já apurados pelo BC até o dia 20 deste mês. Segundo ele, os serviços financeiros estão negativos em US$ 66 milhões e os royalties estão negativos em US$ 106 milhões. Já o item computação e informações (basicamente licença de software) está em US$ 182 milhões e aluguel de equipamentos está negativo em US$ 743 milhões.

O saldo negativo de viagens, que faz parte da Conta de Serviços, contribuiu assim para o déficit de US$ 3,2 bilhões nesse cálculo, resultado 16% superior ao registrado para o mesmo mês de 2012.

A conta de serviços é uma das subcontas da Conta Corrente, que por sua vez forma o Balanço de Pagamentos. Entenda melhor a estrutura do BP.

Conta Corrente. As transações correntes, da qual a conta de serviços faz parte, registratam déficit de US$6,6 bilhões em fevereiro. Em compensação, a Conta Capital e Financeira teve saldo positivo de US$ 8,5 bilhões, destacando-se os investimentos estrangeiros diretos e empréstimos diretos, ambos com US$3,8 bilhões. Assim, o Balanço de Pagamentos (soma das transações correntes e da Conta Capital e Financeira) fechou o mês com superávit de US$1,9 bilhão.

Maciel, do BC, disse que o resultado das transações correntes em fevereiro veio "um pouco acima" da projeção da autarquia, de US$ 5,7 bilhões. "Na verdade, o número de fevereiro confirma um movimento de ampliação do déficit em conta corrente com dois motivos associados: a balança comercial negativa neste início de ano e o maior volume de remessas para o exterior", salientou.

Maciel afirmou que, no caso da balança, além da influência da importação mais intensa de combustíveis, também foi verificada uma alta das compras brasileiras no exterior de bens de capital. "É natural que isso ocorra em um quadro de retomada da atividade", avaliou. Já as exportações ainda não mostraram reação, conforme o chefe do departamento, mas a expectativa é de que haja uma elevação das vendas externas a partir de março, principalmente com o resultado positivo de soja e minério de ferro.

O outro movimento apontado por Maciel é o da continuidade da emissão de remessas de lucros para o exterior, em quantidades expressivas. Esses fluxos, de acordo com ele, estão associados à atividade econômica. "Os primeiros números do ano, incluindo IBC-Br, mostram a atividade mais forte", afirmou.

Além disso, salientou Maciel, com a valorização do real vista desde o fim do ano passado, algumas empresas tendem a acelerar o envio de reservas para aproveitar o câmbio. Segundo Maciel, esse movimento está mais relacionado com o "timing" de envio e menos com a cotação da moeda em si.

Maciel disse "desconhecer" qualquer estudo do BC a respeito de taxação de remessas ou mudanças de prazo. "As remessas são cíclicas: no período em que a economia está melhor, há um crescimento (das remessas), e em período de moderação, tendem também a se moderar.

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