Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Perto da retomada da assembleia da Samarco, credores avançam em novo plano de recuperação

Documento original proposto pela companhia – que tem a brasileira Vale e a australiana BHP Billiton como sócios – deve ser rejeitado pelos detentores de dívida da mineradora que foi palco da tragédia em Mariana (MG)

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2022 | 17h16

Às vésperas da retomada da assembleia de credores da Samarco, marcada para a próxima sexta-feira, dia 1.º de abril, o grupo de fundos estrangeiros que detêm uma dívida de R$ 26 bilhões da mineradora já começou a se debruçar na elaboração de um plano alternativo. Se esse movimento for confirmado, ele será inédito na história empresarial do País. Tal desfecho ocorrerá caso seja dada a negativa dos credores ao plano apresentado pela companhia, o que é o mais provável de ocorrer até este momento, segundo apurou o Estadão

A mineradora foi palco da tragédia de Mariana (MG), em novembro de 2015, após o rompimento de uma de suas barragens causar 19 mortes e danos ambientais.

A possibilidade de credores apresentarem um plano de recuperação judicial alternativo é bastante recente e ainda não testado no Brasil. Isso só será possível por conta de mudanças trazidas pela nova lei de recuperação judicial brasileira. Assim, se de fato não aceitar o plano de recuperação judicial, o grupo de credores terá um prazo de até 30 dias para a entrega deste segundo documento. 

O Estadão apurou que o plano já está elaborado, mas que o grupo ainda aguarda alguns dados operacionais da Samarco para confirmar sua tese. No plano que está gestado pelos credores, o ex-executivo da Vale Tito Martins, que no fim do ano passado deixou o comando da Nexa, será o indicado para assumir a Samarco,  sob a missão de trazer uma gestão independente à empresa. 

Martins também é o nome por trás do plano alternativo que deverá ser apresentado pelos credores. O executivo, conhecido do setor de mineração no Brasil, já fez parte do conselho da Samarco por três anos no passado, e está há cerca de dois meses trabalhando no caso. Também são responsáveis pela estruturação do novo plano a Íntegra Associados e o banco de investimento Houlihan Lokey. 

Retomada mais rápida

Essencialmente, o novo plano deverá trazer um cronograma de retomada mais curto para a produção da mineradora (o cálculo atual é considerado conservador). A Samarco estima que sua produção, que alcançou em 2021 cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro, chegará ao volume pré-tragédia apenas em 2030.  

Nos bastidores, o entendimento é de que seria possível acelerar em ao menos dois anos o cronograma, o que ajudará a empresa a surfar os elevados preços do minério de ferro no mercado global. 

Para concluir o documento, o grupo aguarda informações adicionais da Samarco para conseguir validar o plano que tem na mesa, segundo fontes. Além de mais detalhes sobre os dados operacionais atuais da companhia, os credores querem ter acesso aos detalhes de um acordo global firmado com a Vale, que inclui a permuta de áreas e uso de equipamentos pela Samarco. 

No início de março, na assembleia mais recentes sobre a companhia, a Samarco apresentou um novo plano aos credores, melhorando algumas condições de pagamento. No entanto, ficou acordado que seria necessário mais tempo para a avaliação da proposta – o que adiou a decisão por 30 dias.

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