Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Samarco registra prejuízo de R$ 5,8 bilhões em 2015

Mineradora fez provisões de R$ 9,8 bilhões para a reparação de danos, o pagamento de multas e exigências feitas pelo governo por conta do rompimento de barragem em MG

Mônica Ciarelli e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2016 | 22h18

Protagonista da maior tragédia ambiental do País a Samarco registrou prejuízo de R$ 5,8 bilhões em 2015, afetada por provisões de R$ 9,8 bilhões para a reparação de danos, o pagamento de multas e exigências feitas pelo governo frente ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro do ano passado.

Em 2014, a companhia havia registrado um lucro de R$ 2,8 bilhões. Auditores independentes destacaram que, como as investigações e processos judiciais estão em estágio inicial, os valores a serem desembolsados podem, no fim das contas, ser diferentes dos já estimados.

O balanço publicado ontem mostra que a paralisação nas operações por conta do acidente e a queda no preço das commodities fizeram as receitas da empresa caírem 23,24%, fechando em R$ 7,094 bilhões em 2015. O que aliviou um pouco o resultado foram os ganhos cambiais obtidos pela mineradora no período, de R$ 1,13 bilhão, e os créditos fiscais de R$ 1,9 bilhão.

No relatório em que aprova o balanço, a PwC enfatiza alguns focos de preocupação. A auditoria diz que, devido aos impactos do rompimento da barragem sobre o balanço, a administração da companhia avalia que não conseguirá atender alguns indicadores financeiros exigidos por credores, disparando os chamados “covenants” (gatilhos para antecipação de vencimento de dívida). Para evitar isso, a empresa está renegociando empréstimos e financiamentos com seus principais credores. No fim do ano passado, a dívida líquida da Samarco somava R$ 3,4 bilhões.

Diante desse quadro, a PwC afirma que existe “uma dúvida substancial” quanto à possibilidade de a Samarco continuar a operar. A companhia vem trabalhando para retomar as atividades, suspensas após o acidente, mas ainda é incerto se e quando isso vai ocorrer.

Caso a Samarco não consiga honrar os compromissos financeiros firmados com a União e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, suas controladoras Vale (50%) e BHP (50%) terão de fazer aportes. Nos primeiros três anos do acordo, a Samarco repassará R$ 4,4 bilhões à fundação criada para fazer a recuperação da região afetada. 

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