Rafael Foltran/Santander
Rafael Foltran/Santander

Santander vai contratar 1,2 mil agentes de investimento para acelerar expansão da corretora

Para ter um diferencial dos escritórios de agentes autônomos, banco oferecerá aos especialistas um contrato com carteira assinada e ainda garantirá portfólio de cem clientes para cada um deles

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 05h00

O Santander decidiu partir para a disputa no mundo de investimentos com rivais como o BTG Pactual e a XP. O banco anunciou que vai contratar 1,2 mil agentes de investimento e 100 operadores de mercado até abril do ano que vem para aumentar a relevância da Santander Corretora no mercado. Porém, ao contrário da concorrência, a instituição decidiu que quer atrai-los com carteira assinada e a estabilidade de trabalhar para uma grande empresa internacional. Para completar, ainda vai oferecer a carteira de 100 clientes para os selecionados.

“A ideia é que eles não empreendam do zero. Eles vão iniciar o negócio recebendo 100 clientes cada e também não terão teto salarial. A remuneração será de acordo com o seu protagonismo e performance”, afirma Luciane Effting, superintendente executiva de investimentos do Santander Brasil.

De acordo com a executiva, essa é a primeira fase de um plano agressivo de expansão do Santander na área de investimentos. Até agora, cerca 350 pessoas foram contratadas para essa nova aposta. A ideia é expandir o negócio para alcançar boa parte dos seus 55 milhões de clientes espalhados pelo Brasil, sendo que cerca de 10 milhões possuem algum tipo de investimento dentro do banco.

Porém, por agora, o foco será nos mais endinheirados. A ideia do banco é que a primeira carteira que será fornecida aos agentes de investimento seja de clientes com patrimônio de pelo menos R$ 300 mil e espalhados por 26 cidades em que eles estão concentrados. Além disso, as mais de 200 agências do Santander Select, direcionadas para o público premium, estarão disponíveis para os agentes atenderem os clientes de maneira presencial.

Luciane acredita que esse tipo de iniciativa irá ajudar a fidelizar o cliente do banco, assim como poderá fazer com que eles tragam os seus investimentos de outras plataformas para as suas contas do Santander. Inclusive, a executiva aponta que com o andamento do open banking, o cliente poderá acessar em breve todos os seus investimentos em diferentes bancos diretamente do aplicativo do Santander.

Com todas as ferramentas em mão, a expectativa de Luciane e do Santander é que seus agentes consigam trazer mais para dentro do banco. “Com esse atendimento mais próximo, a expectativa é que consigamos aumentar consideravelmente o número de pessoas que escolham o Santander para aplicar o seu dinheiro”, diz ela.

Esse tipo de iniciativa é inédito dentro de todas as subsidiárias do banco espanhol. “No mundo, ainda é mais forte o modelo tradicional do próprio bancário fazendo o papel de especialista de investimento”, afirma a executiva.

Tecnologia

Além disso, diz a executiva, o Santander tem investido milhões de reais em tecnologia para também conseguir atender os clientes de maneira mais inteligente – inclusive para auxiliar o cliente durante as suas escolhas.

“A ferramenta vai alertar os clientes para pontos de atenção, como a necessidade de liquidez ou se ele está colocando todos os ovos dele na mesma cesta. Outro exemplo é alertá-lo caso esteja fazendo muitos investimentos fora do seu perfil de investidor”, diz ela.

A corretora Toro, que o Santander concluiu a aquisição no ano passado, seguirá com a atuação independente e não fará parte dessa expansão do Santander.

“A Toro é outro negócio do Santander e tem o propósito de atuar no mar aberto, que é a forma de criar um canal com o agente autônomo”, diz Luciane, que nega a intenção do banco entrar na disputa por escritórios de agentes, tal qual vem fazendo BTG Pactual e XP nos últimos anos. “Queremos fazer algo diferente.”

Para Cláudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas, a iniciativa do Santander deve trazer resultados dada a quantidade de novos "vendedores" do banco, mas o maior desafio será mostrar que eles serão independentes na recomendação de produtos. "XP e o BTG conseguiram dar uma imagem de maior independência dos agentes autônomos, que recomendam aqueles melhores produtos para os clientes que podem ser ou não criados pelas instituições. O Santander precisará mostrar que seguirá por esse caminho", diz a professora.

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