Santander/Divulgação
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Lucro do Santander Brasil cresce 1,3% no 1º trimestre e atinge R$ 4 bilhões

Operação brasileira retomou a posição de mais lucrativa do mundo para o conglomerado financeiro espanhol neste início de 2022

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2022 | 08h40

O Santander Brasil fechou o primeiro trimestre de 2022 com lucro líquido gerencial (que desconsidera o ágio de aquisições) de R$ 4 bilhões, alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2021. Na comparação com o quarto trimestre de 2021, o crescimento foi de 3,2%. Com o aumento das receitas com serviços e da margem de lucro, a filial brasileira voltou a ser a operação mais rentável do conglomerado financeiro espanhol.

A filial brasileira do banco teve lucro de 627 milhões de euros, de acordo com o informe de resultados consolidado. O Santander americano, o segundo maior, teve resultado de 583 milhões de euros. A retomada da liderança da operação nacional também está ligada à valorização do real frente ao euro e ao dólar, na comparação com as cotações do ano passado.

Por outro lado, o custo de crédito do Santander Brasil, de 3,94%, foi também o maior entre as operações globais do grupo. Na média do Grupo, o custo ficou em 0,77%. No período, as provisões do banco no Brasil foram de 3,018 bilhões de euros, no critério que considera as provisões ao longo dos 12 meses anteriores.

O balanço é o primeiro do período de gestão do novo CEO do banco no País, Mario Leão. Ele assumiu o cargo na virada do ano, substituindo Sergio Rial, que foi para o conselho da instituição.

Mais inadimplência adiante

O CFO (vice-presidente financeiro) do Santander Brasil, Angel Santodomingo, afirmou há pouco que a tendência de piora da inadimplência da carteira do banco não é "explosiva", mas é constante, e que o banco colocou o pé no freio em determinados segmentos para evitar um aumento exponencial dos riscos.

"Vemos tendência (de piora de inadimplência), não explosiva, mas é uma tendência", afirmou ele, durante teleconferência do banco com analistas e investidores para comentar os resultados do primeiro trimestre deste ano, divulgados nesta terça-feira.

Santodomingo disse que o banco começou a detectar "as diferentes variáveis" que exigiam maior atenção, em termos de qualidade de ativos, já no segundo semestre de 2021. Por isso, o banco reduziu o crescimento da carteira de crédito em alguns segmentos.

"As medidas que tomamos (contra a inadimplência) estão se mostrando suficientes", comentou o executivo. De acordo com o CEO do banco, Mario Leão, com o uso de tecnologia e dados para incrementar os modelos de risco, a instituição já está pronta para voltar a crescer em alguns segmentos da carteira.

Getnet

O Grupo Santander também destacou, no informe do balanço do primeiro trimestre, os resultados da Getnet, cindida do Santander Brasil no ano passado e que  passou a ser controlada pela PagoNxt, a plataforma global de pagamentos do conglomerado.

A Getnet elevou em 40% o volume de pagamentos processados entre o primeiro trimestre de 2021 e o mesmo período deste ano; no Brasil, a alta foi de 26%. O volume processado pela Getnet atingiu 34,1 bilhões de euros no primeiro trimestre, e a base de clientes foi a 1,23 milhão.

A adquirente também ajudou a impulsionar as receitas em diversas operações do grupo no globo. Por outro lado, também pressionou a base de despesas do conglomerado espanhol.

Patrimônio e rentabilidade

Os ativos do Santander Brasil chegaram a R$ 956 bilhões no trimestre encerrado em março, baixa de 1,9% em um ano, e redução de 0,4% em três meses. Em março deste ano, o patrimônio líquido da instituição chegava a R$ 79,2 bilhões, alta de 1,8% em um ano, considerado o indicador que inclui o ágio. Sem ágio, subiu 1,3% em um ano, para R$ 77,7 bilhões.

Com os resultados, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) foi de 20,7% no primeiro trimestre deste ano. No mesmo intervalo de 2021, havia chegado a 20,6%, e no quarto, a 20%.

Agências

Segundo o CEO Mário Leão, o Santander vai continuar a expandir sua presença com agências físicas em diferentes regiões do País. Entretanto, ao longo do primeiro trimestre de 2022, 200 agências foram fechadas, o que fez com que a rede física do banco caísse para 1.787 pontos. Em relação ao mesmo período de 2021, a queda na rede foi de 332 pontos de atendimento físico.

Na visão de Leão, a maior parte dos fechamentos se deu pela consolidação de códigos de agências junto ao Banco Central, e não pelo fechamento de endereços. O CEO reiterou que a tese não é de redução da presença física no Brasil. 

Automóveis

Diante das dificuldades na produção de automóveis, vistas globalmente e que repetem no Brasil, o Santander Brasil tem buscado estar em outros pontos da cadeia do setor, não apenas no financiamento da compra de veículos. 

"Nossa posição em auto é a de expandir capacidades para outros tipos de produto e cliente que não atendíamos", disse Santodomingo, durante a teleconferência de resultados do banco com analistas e investidores. A intenção do banco é ganhar espaço como um ecossistema relacionado a automóveis.

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