Santander/Divulgação
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Santander Brasil fecha 2021 com lucro de R$ 16,3 bilhões, alta de 7% em relação a 2020

No período de três meses encerrado em dezembro, a carteira de crédito do banco chegou a R$ 462,749 bilhões, alta de 12,4% em um ano e de 2,8% em um trimestre

Altamiro Silva Junior e Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2022 | 09h00
Atualizado 02 de fevereiro de 2022 | 23h09

Os efeitos do aumento do risco de crédito e da popularização do Pix – sistema gratuito de transferências implantado pelo Banco Central (BC) – interromperam a sequência de lucros recordes do banco espanhol Santander no País. No quarto trimestre de 2021, o lucro líquido da instituição foi de R$ 3,88 bilhões, queda de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano passado como um todo, os ganhos foram de R$ 16,3 bilhões, alta de 7% sobre 2020. 

No ano passado, a operação brasileira foi a segunda mais lucrativa no mundo para o Santander, ficando por pouco atrás do resultado da norte-americana. O Brasil, porém, foi o campeão em receitas para o banco. Por aqui, o gigante espanhol se viu afetado pelo custo do crédito, que segue o maior do mundo. Isso se refletiu em indicadores da instituição, como os de provisões para calotes, que somaram R$ 13,9 bilhões em 2021, alta de 10,3% sobre o ano anterior. 

A instituição, porém, apontou que não houve uma variação relevante do custo de operação no País. “Não tem nada no custo de crédito no País que seja diferente da série histórica”, disse Sergio Rial, presidente do conselho de administração do Santander Brasil. O balanço marcou o último trimestre no qual Rial ocupou o posto de comandante executivo da operação local do banco, após seis anos no cargo. Na virada do ano, ele foi substituído por Mario Leão.

Para ele, os patamares de inadimplência e custo de crédito devem voltar, em 2022, aos níveis vistos em 2019 – superiores aos de 2020 e 2021. Durante a pandemia, programas de estímulo do governo federal e a renegociação de empréstimos pelos bancos seguraram a piora desses indicadores. “Não é nada que nos preocupe, mas estamos prestando atenção.”

A inadimplência do Santander subiu no trimestre, acompanhando o aumento também da carteira de crédito, que chegou a R$ 463 bilhões. A taxa de calote foi dos 2,4% para 2,7% entre o terceiro e o quarto trimestres de 2021. O banco afirma que 70% da carteira de pessoas físicas têm garantias, reduzindo riscos de prejuízo.

O balanço também sofreu com o “efeito Pix”. As receitas com prestação de serviços aos clientes do Santander bateram em R$ 18,9 bilhões em 2021, alta de 13,9% ante 2020. Em segmentos como cartões de crédito e seguros, a expansão foi de 30% e 14,1%, respectivamente. Mas o avanço do uso do Pix pesou nas receitas com conta corrente, que caíram 3,9% no ano e 6,3% no trimestre.

 


Rial afirmou que a influência do Pix e de outras tecnologias veio para ficar e que dificilmente será compensado por outra linha de receita. Para fazer frente a essa mudança, diz ele, é preciso cortar custos. “Não tem (como compensar a queda de receita). Vai ter de otimizar”, afirmou. Segundo ele, o Santander vai continuar buscando eficiência acima do mercado. “Isso ajudará a compensar impactos da tecnologia em perda de receita”, disse.

Em relação aos planos de expansão do banco, Rial afirmou que o banco continuará a crescer no interior do País, com até uma centena de agências fora dos grandes centros neste ano. “O banco vai continuar abrindo agências no interior. Devemos ter entre 70 e 100 novas agências neste ano”, disse.

Avaliação

Para analistas, os números foram mais fracos do que o esperado. O Safra esperava margem 10% maior, enquanto o BTG estimava números 21% superiores. “O Santander Brasil foi o primeiro banco a reportar os números, com lucro líquido mais fraco do que o esperado. Esperamos números melhores do Itaú e do Bradesco”, afirmou o BTG, em relatório. As ações do banco fecharam em queda nesta quarta. 

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