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São Martinho incorpora Nova Fronteira ao grupo para Petrobrás sair do negócio

Com a operação, a joint venture entre estatal e grupo sucroalcooleiro é desfeita e Petrobrás passa a ter 6,59% do capital social do grupo São Martinho; operação é avaliada em US$ 133 milhões e estatal poderá vender ações da usina na Bolsa

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2016 | 22h27

O grupo São Martinho, um dos maiores produtores de açúcar e álcool do País, anunciou nesta quinta-feira um acordo para incorporar as ações da empresa Nova Fronteira Bioenergia, uma joint venture com a Petrobrás Biocombustíveis (PBIO), na qual a estatal detém 49%. Com essa operação, a petroleira passa a deter 6,59% do capital total da São Martinho SA, abrindo o caminho para que possa deixar o negócio com a venda das ações no mercado.

Esse acordo começou a ser discutido há pouco mais de um ano, quando a Petrobrás decidiu sair de negócios que não eram considerados estratégicos. O valor dessa transação é avaliado em US$ 133 milhões (ou R$ 448 milhões), considerando o preço médio das ações da companhia nos últimos 30 pregões (a R$ 18,40).

O fechamento da operação está condicionado à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A parceria entre São Martinho e PBIO, subsidiária da Petrobrás para os negócios de biocombustíveis, foi firmada em 2010. As duas empresas criaram a Nova Fronteira Bioenergia, controladora da Usina Boa Vista, em Goiás. Agora, com essa transação, toda a produção da Nova Fronteira será incorporada ao grupo sucroalcooleiro. 

Considerando a safra 2016/17, que está em fase final de moagem, o grupo passa a consolidar uma moagem de 21,64 milhões de toneladas de cana, uma expansão de 12,3% sobre o total antes computado antes da incorporação e uma receita líquida 13,4% maior, de R$ 3,58 bilhões (dados anualizados até setembro). “A (usina) Boa Vista é uma das mais modernas e produtivas do País e a incorporação vai gerar maior valor ao acionista”, disse Fábio Venturelli, presidente do São Martinho.

Venda das ações. Com a transação fechada, o grupo sucroalcooleiro vai emitir 24,023 milhões de ações ordinárias para a PBIO e 23,7 milhões de papéis para a NFB. Com isso, a estatal poderá vender em Bolsa, assim que a operação for aprovada pelo Cade, suas ações no mercado, sem qualquer tipo de restrição. Em comunicado, a estatal informou que poderá se desfazer desses papéis de maneira estruturada no mercado. Ou seja, terá opção de vender em bloco, operação conhecida como “block trade”, ou “follow on” (oferta subsequente de ações), por exemplo. A transação, segundo a estatal, faz parte do Programa de Desinvestimentos do biênio 2015-2016.

Segundo Venturelli, a companhia se comprometeu a assessorar a estatal por até quatro anos na venda estruturada desses papéis no mercado. A incorporação da Nova Fronteira pela São Martinho trará maior valor à companhia, que tem se mostrado uma das mais rentáveis do setor sucroalcooleiro - que vive uma forte crise há pelo menos seis anos. 

O Itaú BBA assessorou a estatal nessa transação. Já o grupo São Martinho teve a assessoria do Santander. 

Desinvestimentos. Nos últimos anos, a Petrobrás também se tornou sócia de outros grupos sucroalcooleiros, como o francês Tereos (controlador da Guarani, que possuiu sete unidades produtoras e processa cerca de 20,5 milhões de toneladas de cana/ano) e a usina Total, em Minas Gerais, em parceria com empresários mineiros. A estatal segue em negociações para se desfazer desses ativos.

Seguindo a estratégia de desinvestimentos, a estatal informou ao mercado, em outubro, que as negociações com a Guarani seguiam avançadas. Fontes afirmaram ao Estado que as conversas já não estavam somente no preço a ser pago, mas em detalhes de contratos e prestes a ser concluídas. Na semana passada, porém, o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou parte dos desinvestimentos em curso pela estatal. 

No setor sucroalcooleiro, a petroleira tinha sociedade em nove usinas no Brasil, com capacidade para produção de 1,5 bilhão de litros de etanol por ano. Já no setor de biodiesel, a companhia conta com três plantas industriais próprias e outras duas em sociedade com a BSBios, com capacidade produtiva de 846,6 milhões de litros anuais.

A entrada da estatal em biocombustíveis foi fortemente criticada pelo mercado. A estratégia de não reajustar os preços dos combustíveis, adotada pelo governo petista, foi um dos fatores que contribuíram para reduzir ainda mais a rentabilidade do etanol, que já enfrentava uma forte crise.

Nos últimos meses, a Petrobrás vendeu importantes ativos - entre eles, a rede de gasoduto NTS para a gestora canadense Brookfield, por US$ 5,2 bilhões, e os negócios de botijão de cozinha, a Liquigás, para o grupo Ultra, por R$ 2,8 bilhões. A ideia é se desfazer de quase US$ 20 bilhões de ativos no total. Um dos mais esperados é a venda da fatia da BR Distribuidora, líder em distribuição de combustíveis. 

A primeira intenção era fazer oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês). Depois, decidiu-se vender uma parcela minoritária - estratégia mal recebida pelos investidores. Agora, a empresa busca um sócio com participação maior no negócio e gestão compartilhada.

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