São Paulo deve proibir queima da cana até 2021

Produtores independentesde cana em São Paulo, principal produtor, vão assinar um acordocom o governo estabelecendo uma data para o fim da queima doscanaviais, disseram autoridades na quarta-feira. O pacto será similar ao que foi assinado em junho entre asusinas e o governo, estabelecendo que todas as usinas parem dequeimar a cana antes da colheita até 2017, bem antes da dataanteriormente estabelecida em lei estadual, que era 2031. Os produtores independentes respondem por cerca de 25 porcento das 280 milhões de toneladas da safra de cana de SãoPaulo. Essa cana normalmente é vendida a usinas próximas. "Ainda estamos discutindo este pacto -- as datas maisapropriadas -, mas ele deve ser concluído até o final do mês",disse Ricardo Viegas, gerente do Projeto Etanol Verde, dogoverno paulista. A maioria dos produtores independentes são pequenosproprietários, normalmente em terrenos acidentados, cujamecanização ainda é inviável. Por isso, os prazos estabelecidosnesse acordo são mais tolerantes que no pacto com as usinas. Pelo novo acordo, áreas planas provavelmente vão parar asqueimadas entre 2014 (usinas) e 2017 (produtoresindependentes). Nos terrenos acidentados, os prazos passam pararespectivamente 2017 e 2021, segundo fontes do setor. Também na quarta-feira, usineiros e funcionários do governose reuniram para discutir detalhes do acordo e suaimplementação. O cumprimento será opcional, mas o governocogita dar alguns benefícios às usinas que aderirem. O setor vê nessa medida uma garantia contra eventuaisbarreiras ambientais no mercado internacional. "O setor está muito interessado no acordo. Acredito que 70a 80 usinas vão assiná-lo até o fim do ano", disse Antônio dePádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria deCana-de-Açúcar (Unica). Um programa de certificação seria o próximo passo noprograma estadual. Em 2006, cerca de 2,6 milhões de hectares de canaviaisforam queimados em São Paulo. A queima é feita antes dacolheita manual para eliminar pestes e plantas rasteiras,facilitando o trabalho. Cerca de 60 por cento da colheita decana no Estado é manual. A queima, especialmente em tempo seco, causa enormes nuvensde fumaça, provocando problemas respiratórios em comunidadespróximas. A colheita mecanizada dispensa a queima, e o materialcolhido adicionalmente pode ser usado para a produção de etanolde celulose ou queimado sem afetar o meio ambiente em usinas degeração elétrica. REUTERS CM

INAÊ RIVERAS, REUTERS

05 de setembro de 2007 | 18h43

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