Amanda Perobelli/Estadão - 2/3/2017
Amanda Perobelli/Estadão - 2/3/2017

Saraiva tenta, de novo, aprovar plano de recuperação judicial

Rede de livrarias, que já foi líder de mercado, tem hoje menos de um terço do total de lojas que possuía em 2017 e luta para sobreviver

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2022 | 05h00

Sem conseguir vender ativos, a ex-líder do mercado de livrarias Saraiva está prestes a entregar mais um aditivo de seu plano de recuperação judicial, na tentativa de finalmente realizar sua assembleia de credores, já várias vezes remarcada, e encerrar um imbróglio que dura mais de três anos. Aprovar o plano é um ponto-chave para que a varejista consiga sobreviver – mesmo com um porte muito distante do que já teve. Ao entrar em recuperação judicial, sua dívida era de quase R$ 700 milhões.

Segundo fontes próximas ao caso, as mudanças do plano de recuperação  realizadas ao longo dos últimos meses são bastante pontuais e não mudam as premissas. A rede propõe que os credores possam optar por um deságio de 80% da dívida, com o pagamento do restante em ações da empresa, que é listada na Bolsa. A segunda opção é a de receber até 2048, com o início do pagamento em 2026 e juros de 0,5% ao ano.

Nos bancos

Da dívida com garantias (não quirografária), grande parte está nas mãos do Banco do Brasil – mais de R$ 120 milhões. Uma fatia bem menor pertence ao Itaú Unibanco

O BB não tem se colocado contra o plano, mas suas decisões têm sido lentas, o que explica o longo período de ajustes. Ainda que o prazo para a realização da assembleia esteja perto do fim, um novo adiamento não é descartado, apesar de fontes alegarem otimismo de que o BB estará pronto para votar o plano a partir do dia 16 deste mês, conforme o cronograma.

O BB também vem tentando vender seu crédito da Saraiva para fundos de investimento. Internamente, a leitura é de que, se isso ocorrer, poderá ser positivo para o plano, pois pode acelerar sua aprovação.

Outra parte da dívida da empresa está nas mãos de fornecedores, como editoras e prestadores de serviços. Há ainda os aluguéis de shoppings, que não foram pagos. O acerto com esse grupo, contudo, já teria sido feito. A visão interna é de que sair da recuperação judicial ajudará a Saraiva a voltar a ter produtos em consignação (a loja expõe o produto, sem a necessidade de compra) e não precisaria mais gastar seu caixa para ter sortimento em suas prateleiras.

Longo processo

A Saraiva está em recuperação judicial desde 2018. Com dívidas na época na ordem de R$ 674 milhões, não conseguiu vender os ativos que seriam utilizados para pagar os credores e para injetar dinheiro na operação. No ano passado, fez a terceira tentativa de vender um conjunto de lojas e o seu e-commerce, mas não atraiu interesse.

Recentemente, Marcos Guedes, terceiro líder da empresa em dois anos, deixou a presidência. Segundo fontes do setor editorial, com a saída dele, perdeu-se o canal com a Saraiva. 

No último relatório divulgado nos autos do processo, o administrador judicial, a RV3, informa que a Saraiva registrou em 2021 um prejuízo de R$ 15,7 milhões. Em dezembro, mês importante para o varejo por conta do impulso do Natal, a Saraiva viu suas vendas líquidas caírem 44%. Segundo o mais recente resultado da empresa, referente a setembro, a Saraiva tinha 37 lojas, sete a menos do que um ano antes. No início de 2017, um ano antes da recuperação judicial, eram 113 lojas.

O futuro da Saraiva remete também ao atual contexto das livrarias no Brasil. A Livraria Cultura, que também já foi uma das maiores do País, é outra que luta para sair de sua recuperação judicial. A briga das duas é para não ter o mesmo desfecho da Laselva, que teve sua falência decretada em 2013.

Procurada, a Saraiva não respondeu à solicitação da reportagem.

Crise em números:

  • R$ 15,7 milhões foi o prejuízo registrado pela Saraiva em 2021.
  • 37 é o número de lojas que a Saraiva tem hoje; em 2017, um ano antes de iniciar o processo de recuperação judicial, eram 113.
  • 44% foi quanto caíram as vendas líquidas da rede em dezembro, período em que o varejo normalmente tem o desempenho impulsionado pelo Natal.

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