Sarkozy, Merkel e Monti se reúnem para debater papel do BCE na crise

Segundo o ministro de Relações Exteriores francês, BCE tem papel fundamental, mas França e Alemanha nem sempre concordam em tudo

Álvaro Campos e Danielle Chaves, da Agência Estado,

24 de novembro de 2011 | 08h36

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, vão discutir o papel do Banco Central Europeu (BCE) durante a reunião que será realizada entre eles hoje em Estrasburgo, na França, segundo o ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppé.

O BCE precisa ter um papel essencial na atual crise financeira para restabelecer a confiança dos mercados, disse Juppé em uma entrevista à rádio France Inter. A Alemanha e a França nem sempre concordam em tudo, comentou.

Segundo Juppé, a França não se opõe a uma mudança nos tratados europeus, mas tal mudança levaria tempo e a situação exige uma solução rápida. Uma intervenção do BCE é uma opção que será discutida durante a reunião de hoje, afirmou o ministro. Merkel tem rejeitado a ideia de um papel maior do BCE na crise.

Pacote de mudanças

Os líderes das três maiores economias da zona do euro prometeram hoje apresentar um pacote de mudanças no tratado da União Europeia antes do dia 9 de dezembro, quando ocorre uma reunião de cúpula do bloco. As mudanças visam integrar as políticas econômicas e abrir caminho para sanções mais duras contra aqueles que descumprem as regras do bloco.

Merkel disse, após um almoço com Sarkozy e Monti, que a Europa precisa reconquistar a confiança dos mercados financeiros e dos seus cidadãos. "Nós faremos propostas para uma cooperação política maior, porque boa parte da confiança nos políticos da Europa foi perdida", comentou.

Os três líderes concordam que os membros da zona do euro precisam caminhar em direção a uma integração muito maior das políticas fiscais, para resolver a atual crise da dívida soberana no bloco.

Tentando contornar uma divergência com a Alemanha sobre o papel do Banco Central Europeu (BCE) na solução da crise, Sarkozy disse que ele e Merkel concordaram em não fazer nenhuma exigência à autoridade monetária. "Em respeito à independência da instituição, é essencial nos abstermos de fazer demandas positivas ou negativas ao BCE", comentou.

Mas a divergência em relação à introdução de um bônus comum da zona do euro (eurobônus) ficou clara. Monti disse que eles seriam viáveis com uma união fiscal. Já Merkel alegou que não vê razão para a criação desses títulos e que eles enfraqueceriam todos os membros do bloco.

Mesmo assim França e Alemanha disseram que apoiam o novo governo da Itália. "Nós apoiamos Monti e queremos ajudá-lo. O programa de reformas da Itália é muito impressionante", afirmou Merkel. 

As informações são da Dow Jones. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.