Sarkozy pede ajuda do Brasil para Rodada Doha, diz Brown

França reluta em aceitar reduções nos subsídios agrícolas, o que é um dos entraves à conclusão do tratado

Reuters,

09 de julho de 2008 | 09h17

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu nesta quarta-feira, 9, a ajuda do Brasil para concluir a chamada Rodada Doha da abertura comercial global, segundo relato feito pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. O Brasil, uma potência agrícola, tem papel-chave nas discussões da Rodada Doha, representando os interesses dos países em desenvolvimento. A França, por sua vez, reluta em aceitar reduções nos subsídios agrícolas concedidos pela União Européia a seus produtores, o que é um dos principais entraves à conclusão do tratado. "A novidade é que o Brasil deixou claro hoje que deseja este acordo", disse Brown. "O presidente Sarkozy deixou claro que gostaria de ver um rompimento do impasse e fez um apelo ao Brasil," acrescentou ele durante entrevista coletiva no âmbito da cúpula do G8, no Japão. Autoridades comerciais dos Estados Unidos, da UE, do Brasil, da Índia e de outros membros importantes da Organização Mundial do Comércio vão se reunir no dia 21 de julho em Genebra. Para especialistas, trata-se da última chance de encaminhar a Rodada Doha antes que o processo seja atropelado pelo calendário eleitoral norte-americano. Buscando enviar uma mensagem política forte à reunião ministerial, Brown já havia divulgado uma nota sobre comércio conjuntamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente sinalizando uma postura mais flexível por parte do Brasil. "Acredito que [a nota] demonstre uma disposição por parte de cada agente importante [...] de se sentar em torno da mesa [de negociações] e possivelmente assegurar um acordo em julho", disse Brown. "Quero elogiar o presidente Lula por seu comportamento de estadista em impulsionar o acordo comercial neste momento", afirmou. Lula declarou neste mês que a Rodada Doha poderia ser concluída até o fim de julho, mas na terça-feira um mediador da OMC informou que ainda falta um acordo sobre partes importantes da negociação sobre bens industriais. Uma nova proposta sobre os produtos manufaturados deve ser apresentada na quinta-feira. Esse texto, junto com um novo esboço sobre agricultura, servirá de base para a reunião ministerial na sede da OMC. EUA e UE querem que os grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, façam cortes maiores nas suas tarifas de importação industrial, o que seria uma contrapartida às reduções de subsídios e tarifas agrícolas nos países ricos.

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