Sarkozy promete intensificar proteção ao setor agrícola

'Os agricultores franceses não têm de abolir milhares de anos de direitos feudais para se submeterem às imposições comerciais', disse presidente do país 

Gabriela Mello, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2011 | 15h20

A França estenderá suas ações internacionais para proteger o setor agrícola do país em 2011, atuando no G-20 para combater a volatilidade dos preços e também nas plataformas da Organização Mundial de Comércio (OMC) e da União Europeia (UE) para defender as exportações francesas, disse nesta terça-feira, 18, o presidente Nicolas Sarkozy.

"Os agricultores franceses não têm de abolir milhares de anos de direitos feudais para se submeterem às imposições comerciais", afirmou Sarkozy em um discurso aos produtores de Truchtersheim, um vilarejo no nordeste do país. A volatilidade dos preços das commodities agrícolas é devastadora para os produtores, declarou o presidente francês, apontando o impacto da alta dos preços da ração animal para criadores de gado.

De acordo com Sarkozy, o G-20 se concentrará no combate à volatilidade dos preços e promoverá a regulação dos mercados de commodities. "O número de transações nos mercados de derivativos mais que dobrou desde agosto. Este é um sinal preocupante", informou ele.

As reservas de milho nunca estiveram tão baixas desde 1974 e uma escassez global de ofertas é iminente, o que incentiva atividades especulativas, segundo o presidente. É obrigatório melhorar a transparência com relação aos estoques de commodities agrícolas, afirmou ele.

Sarkozy também disse que a coordenação de políticas agrícolas deve ser aprimorada para impedir e gerir crises de alimentos, bem como para evitar suspensões unilaterais das exportações sem consulta prévia, especialmente com países em desenvolvimento.

Ele revelou que os embarques de produtos agrícolas são cruciais para a economia da França, recusando-se a sacrificar a agricultura francesa em negociações da Política Agrícola Comum, da OMC ou do Mercosul. "A UE deve preservar uma preferência europeia, baseada nas normas sanitária e ambiental", declarou o presidente, referindo-se à defesa dos produtos europeus em relação aos estrangeiros, um de seus assuntos favoritos.

Sarkozy disse ainda que defenderá um forte orçamento para a multibilionária política agrícola comum da UE após 2013, pelo menos igual ao atual. Ferramentas de intervenção no mercado e suporte dos preços devem ser mantidas pelo bloco europeu, afirmou Sarkozy. As informações são da Dow Jones.

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