Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Se escolha do plano de previdência for mal feita, investidor pode ter prejuízo

Nesta época, bancos oferecem planos em grande escala sob o argumento do benefício tributário; especialistas alertam para riscos

Yolanda Fordelone, do Economia e Negócios,

18 de dezembro de 2011 | 23h07

SÃO PAULO - Chegado o fim do ano, algumas pessoas aproveitam a época para começar a se planejar financeiramente para o ano seguinte. Um produto muito procurado são os planos de previdência, mas especialistas fazem um alerta. "O produto é bom. A questão é que deve ser bem usado, de acordo com o perfil específico do investidor, o que muitas vezes não acontece", diz o consultor Mauro Calil.

Uma das principais dúvidas se refere ao benefício tributário que os dois principais tipos de planos – PGBL e VGBL – oferecem. "Um dos principais erros é investir em um plano PGBL sem utilizar o benefício", diz o superintendente da HSBC Seguros, Gustavo Lendimuth. O PGB é indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda, pois no momento de recolher o IR o investidor pode utilizar os investimentos no plano para reduzir a base de cálculo em até 12% da renda bruta anual.

"Supondo que ele tenha uma renda bruta anual de R$ 100 mil e investiu 12% (R$ 12mil) em um PGBL, ele poderia abater o valor na declaração e pagar IR somente sobre R$ 88 mil", explica a diretora técnica de seguros de pessoas e previdência da SulAmérica, Carolina de Molla. Ao final do investimento, quando o valor da previdência for sacado, o investidor deverá pagar o Imposto de Renda sobre o valor total sacado. "O benefício fiscal não é uma isenção de imposto. É um adiamento que a longo prazo é interessante porque o dinheiro do imposto que ainda não foi cobrado estará rendendo", diz Lendimuth.

Se o valor investido no PGBL for ultrapassar 12% da renda, já vale a pena fazer um segundo plano, VGBL. Para pessoas isentas de IR ou que fazem a declaração simplificada, também é interessante a segunda opção. No VBGL não há redução da base do IR, mas o imposto cobrado na retirada do recurso recai somente sobre os rendimentos do período.

"Nessa época do ano é comum aumentarem as campanhas nos bancos para a venda do produto. No impulso de abater imposto, o investidor pode acabar escolhendo errado", diz Calil. "Não é incomum a inflação deixar o rendimento líquido baixo, menor do que o da poupança, se a escolha for errada."

O produto sempre é indicado para o longo prazo e uma escolha equivocada pode significar perdas financeiras por conta do fator tempo. O prazo que a pessoa pretende ficar no plano é importante para definir o tipo de tabela de IR. "O regime regressivo começa com imposto em 35% e cai até 10%, acima de 10 anos. Só é indicado no longo prazo, preferencialmente acima desses 10 anos para pegar a menor alíquota", afirma o professor do Insper Liao Yu Chieh.

O regime progressivo cobra IR seguinte o modelo de cobrança dos salários, de 15% a 27,5% conforme o valor a ser sacado. "É bom se o investidor espera sacar um volume baixo. Se ele não se enquadrar em nenhum dos dois regimes é preciso fazer a conta na ponta do lápis sobre qual é mais vantajoso", diz Liao.

Ações

Como o investimento é indicado para o longo prazo, especialistas costumam recomendar planos com uma parcela, por menor que seja, em ações. "O investidor só não pode esquecer de analisar seu portfólio como um todo. Se fora do plano de previdência ele já possui uma carteira de ações, por exemplo, não deve correr muito risco na previdência", diz o diretor-executivo do Itaú Unibanco , Osvaldo Nascimento. "A previdência não pode estar desconectada do patrimônio", recomenda. Por regra, os fundos de previdência podem aplicar no máximo 49% da carteira em ações.

Outro cuidado deve ser com a taxa de administração cobrada. Calil calcula que há cinco anos a rentabilidade líquida girava em torno de 18%, com taxa de administração média de 1%. Segundo ele, a taxa não caiu, mas o retorno está em aproximadamente 9%. "O pequeno investidor deve buscar planos com administração de até 1,5% e taxa de carregamento nula", diz Liao.

Tudo o que sabemos sobre:
previdênciaplanoprejuízoinvestidor

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.