Segunda prévia do IGP-M sobe 0,66% em maio

IGP-M acumula aumentos de 3,57% no ano e de 10,03% em 12 meses

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

18 de maio de 2011 | 08h35

A inflação voltou a acelerar em mais um indicador inflacionário em maio. A segunda prévia do IGP-M  subiu 0,66% este mês, após avançar 0,55% em igual prévia do mesmo indicador em abril. O resultado, anunciado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam uma elevação entre 0,53% e 0,84% - mas foi levemente superior à mediana das expectativas (0,65%).

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de maio. O IPA-M subiu 0,40% na prévia anunciada há pouco, após avançar 0,51% em igual prévia do mesmo índice em abril. Por sua vez, o IPC-M teve alta de  0,97% na segunda prévia deste mês, em comparação com o aumento de 0,65%  na segunda prévia do mês passado. Já o INCC-M registrou taxa positiva de 1,67% na segunda prévia do indicador deste mês, mais que o triplo da elevação de 0,50% apurada na segunda prévia de abril.

A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de maio, o IGP-M acumula aumentos de 3,57% no ano e de 10,03% em 12 meses.  O período de coleta de preços para cálculo da segunda prévia do IGP-M do quinto mês do ano foi do dia 21 de abril a 10 de maio.

Os produtos agrícolas voltaram a mostrar deflação no atacado. Na segunda prévia do IGP-M de maio, os preços dos produtos agropecuários atacadistas caíram 0,93%, em comparação com a alta de 0,54% apurada na  segunda prévia do mesmo índice em abril. Em contrapartida, a inflação industrial atacadista voltou a pressionar para cima o desempenho do indicador. Os preços dos produtos industriais no atacado tiveram aumento de 0,90% na segunda prévia anunciada hoje, em comparação com a alta de 0,51% na segunda prévia de abril.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 0,15% na segunda prévia de maio,  após avançarem 0,91% na segunda prévia de abril.  Já os preços dos bens intermediários apresentaram aumento de 0,75% na prévia divulgada hoje, em comparação com a elevação de 0,51% na segunda prévia do IGP-M de abril. Por fim, os preços das matérias-primas brutas tiveram taxa positiva de 0,24% na segunda prévia de maio, em comparação com a alta de 0,07% na segunda prévia de abril.

Varejo

No varejo, a inflação apurada pelo IPC-M acumula elevações de 4,20% no ano e 6,30% em 12 meses, até a segunda prévia do IGP-M de maio. O IPC-M representa 30% do total do IGP-M.

Segundo a FGV, a aceleração na taxa do IPC-M, na passagem da segunda prévia do IGP-M de abril para igual prévia do mesmo indicador em maio (de 0,65% para 0,97%), foi influenciada principalmente por acréscimos nas taxas de variação de preços em seis das sete classes de despesa usadas para cálculo do indicador.

O destaque ficou com a aceleração de preços observada no grupo Alimentação (de 0,64% para 1,09%). Nesta classe de despesa, houve taxas de inflação mais intensas e fim de queda de preços em itens de peso no cálculo da inflação dos alimentos, como hortaliças e legumes (de 2,71% para 5,92%), panificados e biscoitos (de -0,37% para 0,73%) e laticínios (de 1,48% para 2,40%).

As outras classes de despesa que também mostraram aumento mais intenso de preços foram Vestuário (de 0,97% para 1,61%), Habitação (de 0,31% para 0,71%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,72% para 1,11%), Despesas Diversas (de 0,29% para 0,48%) e Educação, Leitura e Recreação (de 0,29% para 0,31%).

A única classe de despesa a apresentar desaceleração de preços, no período, foi a de Transportes (de 1,71% para 1,61%), beneficiada por aumento menos intenso e queda de preços, respectivamente, em álcool combustível (de 15,58% para 0,25%) e em seguro facultativo para veículo (de 2,18% para 0,16%).

Na análise dos preços dos produtos no varejo, as altas de preços mais expressivas na segunda prévia do IGP-M de maio foram apuradas em gasolina (5,51%); batata-inglesa (31,45%); e tarifa de eletricidade residencial (1,73%). Já as mais significativas quedas de preços foram registradas em laranja-pera (-10,14%); laranja-lima (-18,58%); e mamão da Amazônia - papaya (-3,88%).

Construção

Na construção civil, a inflação no setor medida pelo INCC-M acumula aumentos de 3,66% no ano e de 7,79% em 12 meses, até a segunda prévia do IGP-M de maio - sendo que o INCC representa 10% do total do IGP-M. A informação foi divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com a FGV, a forte aceleração na taxa do INCC-M, da segunda prévia do IGP-M de abril para igual prévia em maio (de 0,50% para 1,67%) foi influenciada por aumento mais intenso de preços em materiais, equipamentos e serviços (de 0,27% para 0,50%) e em mão de obra (de 0,74% para 2,90%). No caso deste último segmento, a inflação no setor foi puxada para cima devido à reajustes nos preços de mão de obra na construção, realizados normalmente nesta época do ano.

Entre os produtos pesquisados, as mais expressivas altas de preço na construção civil foram registradas em ajudante especializado (3,70%); servente (2,65%); e pedreiro (3,12%). Já as mais expressivas quedas de preços foram registradas em vergalhões e arames de aço ao carbono (-0,74%); placas cerâmicas para revestimento ( -1,09%); e tubos e conexões de ferro e aço (-0,29%).

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