Seguro aéreo ficará mais caro após 2o acidente em 10 meses

A TAM evita falar do impactofinanceiro do acidente envolvendo um Airbus na noite deterça-feira, mas uma coisa é praticamente certa: o custo dasapólices de seguro vai aumentar. "Acidentes como o de ontem encarecem os seguros em geral. Étão grande o evento que não se restringe à empresa envolvida",afirmou um executivo de uma seguradora nacional de grande portesob condição de anonimato. "Esse é um tipo de seguro muito pulverizado, com 90 ou 95por cento do risco colocado fora do Brasil... Quando você forem Londres colocar uma apólice de uma empresa aérea brasileira,o pessoal vai colocar um custo maior", acrescentou a fonte, deum setor que normalmente evita exposição à mídia por trabalharcom dados sigilosos. Um avião A320 da TAM, que fazia o vôo 3054, explodiu ao sechocar contra prédios vizinhos ao aeroporto de Congonhas, emSão Paulo, após tentar pousar. As 186 pessoas a bordo morreram,no mais grave acidente aéreo da história do país. Em setembro passado, uma aeronave Boeing da Gol se chocouno ar com um jato executivo Legacy e caiu no Mato Grosso,matando todas as 154 pessoas a bordo. Nesta quarta-feira, o presidente da TAM, Marco AntonioBologna, afirmou que a seguradora da companhia, sem mencionarseu nome, "tem porte e recursos suficientes" para cobrir todosos danos materiais e pessoais do acidente de terça-feira. A Unibanco AIG informou que é seguradora da TAM, mas nãorevelou se é a única. COBERTURA BILIONÁRIA Questionado sobre o impacto da tragédia no resultado daTAM, Bologna disse que "não é o momento apropriado" para pensarno impacto financeiro "dentro da conjuntura de um acidentedessa dimensão". "Tudo está coberto e será devidamente indenizado de umamaneira justa o mais breve possível", enfatizou. Na Bolsa de Valores de São Paulo, as ações da TAM reagiramao acidente: caíram 9 por cento. O Citigroup afirmou, emrelatório, que continua a acreditar que a TAM é uma empresasólida, mas que vê a companhia como "refém da percepçãonegativa com segurança no sistema brasileiro de aviação". Segundo o balanço da TAM relativo ao primeiro trimestre, omais recente disponível, a empresa mantém cobertura de segurospor "montantes acima dos valores mínimos obrigatórios queconsidera necessários para cobertura de eventuais sinistros". "A cobertura de seguros (da TAM) para o ramo aeronáutico--casco e responsabilidade civil em conjunto-- apresenta ovalor máximo indenizável de até 1,5 bilhão de dólares", deacordo com o documento. A Gol, por sua vez, tem seguros que garantem indenizaçãomáxima de 2,8 bilhões de dólares por aviões e responsabilidadecivil, também com base nos dados de março. Além disso, o governo brasileiro, através de lei e decreto,assumiu o compromisso de cobrir eventuais despesas civisperante terceiros, provocadas por atos de guerra ou atentadosterroristas que as companhias aéreas possam vir a ser exigidasa 1,5 bilhão de dólares. Na avaliação do executivo do setor de seguros ouvido pelaReuters, não é simples comparar os valores indenizatóriosmáximos de TAM e Gol. "Você pode fazer um limite único ou por aeronave. A TAMpode ter, por exemplo, um valor global menor que o da Gol, maspode ter um valor individual por aeronave que seja suficiente",ponderou.

CESAR BIANCONI, REUTERS

18 de julho de 2007 | 20h48

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