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Seleção de filmes para Cannes decepciona

Categoria filmes, embora ainda seja o carro-chefe do negócio, vem perdendo espaço para outras ações de marketing

Marili Ribeiro,

08 de junho de 2008 | 21h10

A sessão de exibição e votação da seleção dos 50 melhores filmes publicitários de 2008, feita globalmente pela rede de agências Leo Burnett ­_ e que funciona como uma espécie de avant-première do que se verá no Festival Internacional de Publicidade de Cannes ­_ decepcionou. Os jurados convidados ficaram frustrados com o que viram.   Veja Também: 55º Festival Internacional de Publicidade de Cannes  Pequeno glossário de termos publicitários Festa Cannes Predictions    A festa Cannes Predictions na versão Brasil - que também acontece no mesmo dia em outros 84 países -, indicou que a categoria de comerciais para televisão e cinema a ser julgada a partir de 14 de junho na França durante a 55ª do Festival, não vai provocar fortes emoções.   A categoria filmes, embora ainda seja o carro-chefe desse negócio capitaneado pelas agências de propaganda, vem perdendo espaço para outras ações de marketing. Este ano, serão 11 categorias em julgamento, entre elas a estréia do design do pontos de vista da peças publicitárias como das embalagens e logotipos.   "A propaganda vive um momento de transição e esse fenômeno é mais sentido em uma das principais categorias da atividade, que é a produção de filmes comerciais", avalia Ruy Lindenberg, vice-presidente de Criação da Leo Burnett, um dos anfitriões do evento junto com o jornal O Estado de S.Paulo. "Todos tentam entender como lidar com as novas mídias, e isso, responde em parte por certo marasmo em termos de evolução no que está se criando para os filmes", acrescenta.  O sentimento de que a criação publicitária vive a busca de novos caminhos fica evidente, na opinião de Anselmo Ramos, vice-presidente de Criação da Ogilvy & Mather, até mesmo pelo excesso de recursos usados nas produções que, para ele, nem sempre atingem o resultado efetivo.  "Decididamente não temos um bom ano nessa área", diz ele que participou da votação. "A crise é mundial e isso, admito, me deixa deprimido. Não consegui dar um único dez nos filmes que assisti", arremata.  Todos os jurados convidados, cerca de 30, assistem juntos e votam eletronicamente, com notas que variam de um a dez. A seleção dos 50 filmes é resultado de um levantamento a partir dos comerciais que já concorrem nas principais premiações publicitárias que antecedem o Festival de Cannes.   "Há muito dinheiro investido em detalhes desnecessários e até abundância de extravagâncias na produção dos filmes. Tudo para se obter um resultado óbvio ou previsível", critica Fred Gelli, sócio da Tácil Design, que este ano representa o Brasil como jurado em Cannes em Design. Mas, como ele mesmo pondera, considerando que é marinheiro de primeira viagem, diz esperar ver coisas bem melhores durante sua estada na costa francesa.  Os anunciantes, também convidados a opinarem no Cannes Prediction, julgaram com cautela. "Os comerciais que assisti não me surpreenderam", avalia Jan Telecki, gerente de marketing da Pirelli. "Vi boas piadas, mas que não conseguiam fixar a mensagem do produto. No final, a piada se perde e você não lembra da marca", acrescenta Pedro Martins e Silva, diretor da Procter & Gamble, que há três consecutivos participa do Cannes Predictions.  Mas se a atual safra no geral é percebida como fraca, não significa que tudo está perdido. "Há trabalhos bons, como, por exemplo, a série de filmes feita para o canal HBO", ressalta Adriana Cury, presidente McCann-Erickson. Sua maior queixa, entretanto, recai sobre a forma de participação nacional no Cannes Prediction. "Os dez filmes escolhidos em votação aberta na internet não representam a qualidade do que se faz no Brasil", explica ela. "Deveriam refazer esse formato e dar mais consistência à escolha dos comerciais brasileiros".  O RESULTADO  O júri que votou na Cinemateca, em São Paulo, elegeu três filmes internacionais, entre os que terão mais chances para se sagrarem vitoriosos em Cannes, além de também três nacionais, escolhdios a partir dos dez filmes mais votados na lista exposta no site no evento.   Entre os estrangeiros, as apostas do jurados foram para: em primeiro lugar, o filme criado para a locadora de veículo Thrifty, realizado pela agência JWT de Sidney, na Austrália; em segundo, o da FedEx , criado pela BBDO, de Nova York; e, em terceiro, a série feita para HBO, também da BBDO de Nova York.  Os filmes brasileiros com chances em Cannes, segundo o júri do Prediction, são o comercial "Uma hora vai voltar para você", produzido pela DM9DDB para a ONG em defesa do meio-ambiente WWF ; em segundo elegeram "Barba", criado peça F/Nazca Saatchi & Saatchi, parap canal PlayTV; e, por último, o filme "Ofertas" da Leo Burnett, para o Instituto Akatu.  Há ainda uma escolha feita para a peça impressa também mais votadas no site do evento. O anúncio escolhido foi "Caminnhões customizados", produzida pela agência AlmapBBDO para a Volkswagen.  O Cannes Predictions foi criado há 21 anos. No Brasil, além do patrocínio do Estado - representante oficial do Festival de Cannes desde 2001 no País -, conta com o apoio da Editora Referência e da agência The Marketing Store.

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