Selic sobe e Brasil volta a ter o maior juro real do mundo

BC elevou a taxa pela 5ª vez seguida, para 9,5% ao ano; alta de 0,5 ponto foi adotada em decisão unânime

Economia & Negócios e Agência Estado,

09 de outubro de 2013 | 20h05

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou nesta quarta-feira, pela quinta vez seguida, a taxa básica de juros da economia, a Selic. A alta de 0,5 ponto porcentual, para 9,5% ao ano, foi adotada em decisão unânime. Com a elevação, o Brasil volta a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo, de 3,5%, segundo cálculos do economista Jason Vieira.

O ciclo de maior aperto monetário promovido pelo governo Dilma Rousseff teve início em abril deste ano, quando a taxa passou de 7,25% para 7,5%. Desde então, a taxa já subiu 2,25 pontos porcentuais.

A repetição da explicação que se seguiu à decisão (veja o comunicado completo no fim do texto) reforçou a aposta majoritária dos analistas do mercado financeiro de que uma nova alta de meio ponto porcentual será vista na última reunião do Copom do ano, marcada para 27 de novembro. Confirmada a expectativa, a Selic encerrará o ano com dois dígitos, fato que não era visto desde março do ano passado.

A decisão desta quarta-feira já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. De 80 instituições ouvidas na semana passada pelo AE Projeções, serviço especializado do Broadcast, 79 apostavam na elevação de 0,5 ponto.

A taxa básica de juros é o principal indicador para determinar o custo do crédito e o rendimento das aplicações em renda fixa. Com a elevação, tomar empréstimos ficará mais caro para o consumidor. Desde a reunião de agosto do Copom (quando a Selic subiu para 9%), a poupança voltou a render de acordo com a regra antiga: 0,5% ao mês mais a TR.

Ata. Os motivos que levaram o Comitê a manter o aperto monetário serão detalhados na quinta-feira da próxima semana, por meio da ata da reunião de hoje. Os profissionais de mercado estarão atentos, no entanto, a qualquer pronunciamento do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante passagem pelos Estados Unidos. A viagem, que começa amanhã e vai até domingo, está recheada de compromissos públicos.

Para a equipe de economistas da Concórdia, a diretoria do BC deverá fundamentar sua decisão em três pontos principais: o patamar desvalorizado da taxa de câmbio, associado às incertezas do cenário internacional; a recente aceleração dos indicadores de preço; e a perspectiva de um novo reajuste nos preços dos combustíveis em 2013.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, o cenário sofreu bastantes modificações desde a reunião do Copom anterior. "Umas coisas para melhor, outras nem tanto. Mas o dominante foi para melhor", avaliou. Por isso, o BC preferiu não deixar a situação amarrada.

Pelos cálculos do economista, a Selic chegará ao final do ano em 10%. "Símbolos são feitos para serem destruídos", afirmou. Lima Gonçalves comentou ainda a mudança de postura do colegiado do BC a respeito da situação fiscal. "Parece que alguém no governo resolveu mostrar preocupação", considerou.

Alguns analistas também enfatizaram o alerta do BC dado na ata da reunião passada e no Relatório Trimestral de Inflação, publicado em setembro. Para o Copom, a tendência é de que as contas públicas sejam neutras, e não mais expansionistas, dentro de seu "horizonte relevante" para tomada de decisão sobre juros.

O economista-chefe para América Latina do HSBC Bank, André Loes, é um dos poucos analistas do mercado a acreditar que, com a decisão de hoje, o BC encerra o período de aperto monetário. Para ele, não há necessariamente obrigação de o Copom antecipar no comunicado que se segue à decisão alguma menção ao fim do ciclo atual de alta. "O statement pode ter ficado em aberto. Alguma qualificação deve vir apenas na ata", considerou ele, admitindo que, se há um risco em seu cenário, é de mais elevações da Selic.

Veja a íntegra do comunicado do BC:

"Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés.

O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano."

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