Selo gay lançado na Finlândia é exportado para 178 países

Correio finlandês diz que coleção é o maior sucesso da história da filatelia no país, mas supermercado veta produto e é ameaçado de bicote pela comunidade LGBT

Reuters

11 de setembro de 2014 | 09h54


HELSINKI - Uma série de selos com motivos homoeróticos do popular artista gay Tom of Finland, lançado esta semana no país nórdico, está sendo anunciada como a mais popular da história do serviço portal finlandês, com encomendas de 178 países até agora.

Segundo o Correio da Finlândia, os selos estão recebendo grande atenção internacional desde que foram anunciados em abril desde ano, e transformaram-se no "produto filatélico mais comentado de todos os tempos".

Apesar do sucesso, o selo gay provocou polêmica na Finlândia ao ser vetado pela cadeia de supermercados Halpa-Halli, que tem 38 lojas. A rede alegou que as imagens poderiam ofender os clientes. Grupos de defesa de gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais ameaçam um boicote à empresa, caso a decisão não seja revista.

"Nunca na história houve tanto interesse por uma coleção de selos no serviço postal filandês e provavelmente passará muito tempo antes que se repita algo assim", afirmou Markku Penttinen, diretor da companhia postal.

Além da Finlândia, a coleção de selos gay faz sucesso na Suécia, Inglaterra, Estados Unidos e França, países que lideram as encomendas feitas pelo site do serviço postal da Finlândia.

As imagens foram produzidas pelo artista gráfico Timo Berry a partir de desenhos originais de Tom of Finland, e mostram homens musculosos vestidos de uniformes.

Tom of Finland, cujo verdadeiro nome era Touko Laaksonen, é considerado um dos artistas mais influentes do mundo gay no século XX, e seus trabalhos figuram em coleções de importantes museus do mundo.

"É impressionante que estas ilustrações que antigamente eram negociadas secretamente agora podem ser apreciadas livremente em selos postais", afirma Berry, que teve de escolher entre mais de 3,5 mil desenhos criados pelo artista durante a sua vida.

Além de lançar os selos, a companhia postal abriu uma exposição no Museu dos Correios da cidade de Tampere, dedicada à personalidade do artista vista pela correspondência mantida por ele com parentes e amigos até a sua morte em 1991.

Paradoxalmente, a Finlândia é o único país nórdico que não reconhece o casamento homossexual.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.