José Patrício/Estadão/19/03/2015
José Patrício/Estadão/19/03/2015

Sem acordo com sindicato, Caoa Chery oficializa demissão de funcionários de fábrica de Jacareí

Unidade no interior de São Paulo será fechada até 2025 para passar a produzir veículos elétricos, segundo a montadora; trabalhadores foram comunicados por telegrama dos desligamentos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2022 | 19h25

Sem conseguir um acordo com representantes dos trabalhadores, a Caoa Chery informou ter demitido nesta quarta-feira, 25, 446 funcionários da fábrica de Jacareí (SP), por meio de telegramas enviados às suas residências. Ao todo, a unidade emprega 624 pessoas, segundo informa o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região. 

A companhia diz que foram feitas por telegrama porque os funcionários da produção estão em licença remunerada desde março. Também afirma que um grupo de sindicalistas realiza bloqueio em frente ao portão da fábrica, impedindo a entrada do pessoal administrativo e da área de manutenção, o que poderia gerar alguma insegurança. O sindicato, por seu turno, diz ter contabilizado 580 telegramas enviados.

A empresa anunciou no início do mês que vai manter a fábrica fechada até 2025, período em que vai prepará-la para produzir apenas modelos elétricos e híbridos. Para as dispensas do pessoal da produção propôs indenização extra de até 15 salários, dependendo do tempo de casa.

Condições

Na segunda-feira, ocorreu uma audiência de conciliação entre as duas partes e o Ministério Público do Trabalho (MPT) que, na semana passada, propôs melhores condições de indenização e de benefícios aos demitidos, mas não houve entendimento. O sindicato mantém sua proposta de lay-off (suspensão do contrato de trabalho) por cinco meses e mais três meses de estabilidade.

A Caoa Chery afirma que, no momento, não pode se valer de tal recurso, pois a reestruturação da fábrica e do maquinário demandam um longo período e o lay-off admitido na legislação destina-se às suspensões de atividade com rápida retomada da produção e do trabalho.

 "As dispensas de empregados são certas porque não terão nenhuma função por todos os meses de paralisação da atividade naquela fábrica", informa a nota da empresa. Também afirma que, nas duas últimas reuniões realizadas no MPT, avançou em sua proposta e aguardava a resposta do Sindicato.

Na terça-feira, 24, porém, um grupo de trabalhadores invadiu a fábrica, permanecendo no local por duas horas e, segundo a empresa, "a propriedade foi danificada". Sobre as demissões, a Caoa Chery informa que cumprirá todas as suas obrigações legais, pagando integralmente os direitos trabalhistas, possibilitando assim que recebam o Fundo de Garantia e o seguro desemprego.

A empresa também afirma que segue aberta a novas negociações com o sindicato e o MPT, inclusive em relação ao pagamento da indenização extra.

Ação civil pública

O Sindicato dos Metalúrgicos, por sua vez, diz que vai protocolar nesta quinta-feira, 26, uma ação civil pública, na Justiça do Trabalho de Jacareí, pedindo o cancelamento das demissões, que considera arbitrárias. "As demissões acontecem em meio às negociações que ainda estão em curso no MPT", afirma a entidade.

O presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, diz que a entidade não vai "descansar enquanto as demissões não forem canceladas", e que vai lutar até o final em defesa dos empregos e contra o fechamento da fábrica. "Pressionaremos o poder público com toda força para que proíbam a saída da Caoa Chery de Jacareí e esses cortes, que soam abusivos e ilegais”, ressalta Gonçalves.

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